O Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, reforça em 2026 a urgência de manter os exames em dia. Afinal, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicadas em setembro de 2025, endureceram as metas de LDL e criaram uma categoria inédita de risco extremo. O colesterol alto é um risco para o brasileiro.
Embora essas diretrizes já estejam em vigor, a conscientização ainda é um desafio. Como as mudanças afetam diretamente a forma como médicos interpretam exames e definem tratamentos, a PROTESTE destaca a importância de acompanhar essas atualizações na prática.
Paralelamente, o IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde, realiza a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2026. Pela primeira vez, a ação inclui a coleta de biomarcadores como o colesterol em cerca de 140 mil domicílios. Na edição anterior da pesquisa, em 2019, 14,6% dos brasileiros adultos relataram diagnóstico de colesterol alto. Além disso, os dados atualizados devem sair ainda em 2026.
Colesterol alto continua sendo um risco silencioso
Em primeiro lugar, é preciso entender que o colesterol é necessário para o organismo. Ele participa, por exemplo, da formação de células, hormônios, vitamina D e ácidos biliares. No entanto, o problema real está no excesso de LDL, que pode penetrar na parede das artérias e formar placas de gordura. Esse processo, chamado de aterosclerose, aumenta o risco de:
- Infarto
- AVC (Acidente Vasculocerebral)
- Doença arterial periférica
Em 2022, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 400.154 mortes no Brasil, segundo o IBGE. Portanto, como o colesterol alto raramente causa sintomas, o diagnóstico depende fundamentalmente de exames e da avaliação de outros fatores de risco.
O que muda com as novas diretrizes de 2025
As diretrizes da SBC de 2025 não estabelecem mais um único valor de LDL ideal para todos. Atualmente, a meta depende do perfil de risco cardiovascular de cada pessoa, que considera:
- Idade e pressão arterial
- Diabetes e tabagismo
- Histórico familiar e função renal
- Presença de eventos cardiovasculares anteriores
Consequentemente, a principal novidade é a criação da categoria de risco extremo, com meta de LDL abaixo de 40 mg/dL. Essa meta é reservada a pacientes com múltiplos eventos cardiovasculares ou um evento combinado com condições severas, como diabetes ou doença renal crônica.
| Categoria de Risco | Meta de LDL |
|---|---|
| Baixo | Abaixo de 115 mg/dL |
| Intermediário | Abaixo de 100 mg/dL |
| Alto | Abaixo de 70 mg/dL |
| Muito alto | Abaixo de 50 mg/dL |
| Extremo | Abaixo de 40 mg/dL |
Para os pacientes de baixo risco, a meta caiu de 130 mg/dL para 115 mg/dL. Já para os de muito alto risco, a redução foi de 70 mg/dL para menos de 50 mg/dL.
Além disso, a diretriz passa a recomendar a dosagem da lipoproteína(a) pelo menos uma vez na vida adulta. Trata-se de um marcador definido principalmente pela genética, capaz de indicar risco elevado mesmo em pessoas com LDL normal.
O que comer para controlar o colesterol alto
Para organizar o cardápio, a Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025 recomenda uma abordagem qualitativa. A orientação é priorizar alimentos minimamente processados e ricos em fibras, mantendo uma meta de pelo menos 25 gramas de fibras por dia. Do mesmo modo, quando o colesterol alto aponta, é essencial reduzir gorduras saturadas, açúcares adicionados e carboidratos refinados.
Alimentos que favorecem o controle do LDL:
- Fibras e grãos: aveia, cevada, feijão, lentilha, ervilha e cereais integrais.
- Hortaliças e frutas: frutas inteiras, verduras e legumes.
- Gorduras boas e peixes: azeite de oliva, castanhas e peixes como sardinha e salmão.
Nota: Aveia e leguminosas fornecem fibras solúveis que reduzem a absorção intestinal de colesterol.
Alimentos que convém reduzir:
- Embutidos, manteiga e queijos gordurosos
- Frituras, biscoitos recheados e ultraprocessados
- Bebidas açucaradas
Porém, vale ressaltar que acrescentar aveia ou azeite a uma rotina com excesso de ultraprocessados não produz o mesmo efeito. Afinal, o benefício vem da substituição, não da adição.
Musculação ou cardio: qual garante mais resultado?
Para controlar o colesterol, a melhor estratégia é combinar as duas modalidades. Por isso, a Diretriz SBC 2025 recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada — ou 75 minutos de atividade vigorosa — combinados com treino de força.
Nesse sentido, o Guia de Atividade Física do Ministério da Saúde reforça que os exercícios de fortalecimento muscular devem ser feitos em pelo menos dois dias por semana.
- O cardio (caminhada rápida, bicicleta, natação, dança) atua principalmente na redução do LDL e dos triglicerídeos, além de aumentar o HDL.
- A musculação contribui sobretudo para o aumento do HDL e o controle do peso.
Assim, juntos, esses exercícios produzem o resultado mais completo no perfil lipídico. Contudo, quem apresenta dor no peito, falta de ar desproporcional, doença cardiovascular conhecida ou passou por um longo período de sedentarismo deve buscar avaliação médica antes de intensificar os treinos.
Quando alimentação e exercício não são suficientes
Em alguns casos, pessoas com hipercolesterolemia familiar, doença cardiovascular, diabetes ou risco muito alto podem manter o LDL elevado mesmo com hábitos saudáveis. Nessas situações, as estatinas continuam sendo a base do tratamento.
Por essa razão, para quem não atinge as metas, a diretriz de 2025 admite combinações mais precoces — estatina com ezetimiba ou com terapias anti-PCSK9, capazes de reduzir o LDL em até 85%.
Em março de 2025, a Anvisa registrou o Nustendi, combinação de ácido bempedoico e ezetimiba, indicado para adultos com hipercolesterolemia que não atingem a meta com estatina ou não toleram esse tipo de medicamento. O registro autoriza o produto, mas a disponibilização pelo SUS ainda exige avaliação da Conitec.
Alerta: Dores musculares durante o uso de estatinas não justificam interromper o tratamento por conta própria. Nesses casos, o médico pode ajustar a dose ou trocar o medicamento.
Quando fazer o exame de colesterol
Infelizmente, o colesterol alto raramente avisa antes de uma complicação. O perfil lipídico — composto por colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos e não-HDL — pode ser medido sem jejum na maioria dos casos. Portanto, a coleta em jejum é pedida apenas quando os triglicerídeos aparecem muito elevados.
Além disso, a frequência e a idade para começar o acompanhamento dependem do histórico familiar e dos fatores de risco presentes. Por exemplo, crianças com obesidade ou parentes com colesterol alto e doença cardiovascular precoce também podem precisar do exame.
Para saber mais, o Guia de check-up médico da PROTESTE ajuda a entender quais avaliações considerar em cada fase da vida. Por fim, lembre-se de que a meta adequada e o tratamento devem ser definidos individualmente pelo médico.
Outras dúvidas
Colesterol alto tem cura?
Depende da causa. Quando o quadro está relacionado a hábitos alimentares e sedentarismo, mudanças no estilo de vida podem normalizar os níveis. No entanto, em casos de origem genética, como a hipercolesterolemia familiar, o controle geralmente exige tratamento contínuo. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável.
Preciso fazer jejum para medir o colesterol?
Na maioria dos casos, não. O perfil lipídico pode ser medido sem jejum. Uma nova coleta em jejum pode ser necessária apenas quando os triglicerídeos aparecem muito elevados ou quando o resultado precisa ser confirmado.
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