Desinfetantes: saiba como manter a casa livre de vírus e bactérias

PROTESTE testou algumas marcas de desinfetantes e comprovou a eficácia dos produtos; alguns, no entanto, ainda precisam melhorar seus rótulos.

Com a pandemia do novo coronavírus, as pessoas passaram a se preocupar ainda mais com a limpeza e desinfecção da casa. Além da higienização das mãos e das compras, a preocupação com as superfícies também se intensificou. Por isso, a PROTESTE testou as principais marcas de desinfetantes do mercado, para indicar a melhor opção aos consumidores.

Embora apenas um desinfetante (marca Kalipto) tenha recebido os títulos de melhor do teste e escolha certa, por mostrar ótimo desempenho e custo-benefício, a maioria dos produtos avaliados foi considerada excelente. “Verificamos que todos são eficazes para matar bactérias, porém alguns desapontaram por não trazerem informações obrigatórias no rótulo, como o nome do químico responsável”, destaca Thiago Porto, pesquisador da PROTESTE.

Thiago lembra que, por serem compostos de substâncias tóxicas, os desinfetantes exigem que os consumidores sigam corretamente as instruções de segurança. “Eles são produtos químicos que não podem ser misturados, a não ser com água, para limpeza geral. Além disso, exigem luvas para o manuseio, principalmente quando usados para desinfecção, caso em que não devem estar diluídos”, alerta o especialista.

Como usar os desinfetantes?

Thiago ressalta que a maioria dos produtos disponíveis no mercado serve tanto para limpar, quanto para desinfetar superfícies. Porém, o modo de uso é distinto de acordo com o caso. “Para a limpeza geral, pode-se diluir o produto, que serve apenas para remover a sujeira e perfumar o ambiente. Já para a desinfecção, processo que destrói bactérias e vírus, é comum a aplicação dos produtos puros. A forma de uso deve estar descrita no rótulo”, alerta.

Além disso, o especialista frisa que os desinfetantes só devem ser misturados com água, nunca com outros produtos destinados à limpeza ou possíveis fórmulas caseiras. “Nunca misture com álcool, vinagre ou qualquer outro líquido que não seja água para diluição, caso necessário. Vários produtos químicos juntos podem reagir e liberar substâncias tóxicas”, destaca. 

Importante destacar também que, por serem produtos tóxicos, devem ser armazenados fora do alcance de crianças e de animais de estimação. Outro detalhe fundamental é que eles servem somente para higienização de superfícies e nunca podem ser utilizados em alimentos

ação desinfetantes

Confira os detalhes do teste

Foram realizados testes com três bactérias: a Staphylococcus aureus, que frequentemente causa infecções na pele, mas também pneumonia, infecções da válvula cardíaca e ósseas; a Salmonella choleraesuis, que provoca intoxicação alimentar e, em casos raros, pode levar à morte; e a Escherichia coli, que, embora faça parte da flora intestinal normal humana, há alguns grupos que podem gerar infecção no aparelho digestivo, urinário ou em outras partes do corpo.

Todos os produtos obtiveram resultados entre bons e muito bons, porém houve diferença de atuação entre eles. De 60 cilindros com bactérias imersas em desinfetantes agindo durante 10 minutos, o Lysoform e o Pinho Sol não deixaram nenhum com crescimento de bactéria. O Sanol deixou um cilindro com crescimento de cada bactéria, enquanto o Urca, com um de Staphylococcus aureus e outro de Salmonela choleraesuis, o Kalipto, com um de Salmonela Choleraesuis, e o Pinho Bril, com um de Escherichia coli.

O Pinho Sol é o único produto que traz a informação de que são necessários apenas 30 segundos para a desinfecção completa. “Por isso, fizemos o teste adicional de 30 segundos com ele e verificamos que, de fato, elimina as três bactérias nesse tempo que promete”, diz Thiago.

Veja quais foram os problemas de rotulagem

Nos rótulos, a PROTESTE observou que as informações obrigatórias para produtos saneantes, em relação à utilização e ao armazenamento, bem como todas as orientações necessárias ao consumidor. Os desinfetantes Lysoform, Pinho Sol e Urca citam validade e número de lote.

Segundo normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esses dados indispensáveis não podem estar escritos em partes removíveis para o uso, como lacres e travas de segurança. “Como o rótulo pode cair ou ser afetado no momento de utilização ou armazenagem, a melhor opção seria a marcação na embalagem, como nas marcas Sanol, Kalipto e Pinho Bril”, afirma Thiago. 

Outro problema foi a ausência do nome do responsável técnico e do número do registro do conselho profissional nos rótulos de algumas marcas. Além disso, o Lysoform não apresenta instruções de armazenagem, também obrigatória. 

Alguns produtos informam o rendimento, mas a quantidade se refere apenas à limpeza, não à desinfecção, que são processos distintos (com ou sem diluição). Além disso, as letras no rótulo são pequenas, o que dificulta a leitura.

Quanto à informação declarada do princípio ativo (tensoativo catiônico) na embalagem, a PROTESTE testou sua concentração. Os produtos Sanol e Pinho Sol mostraram uma variação maior do que 15%, ficando, respectivamente, com 18% a mais de concentração e com 61% a menos do que o declarado. Por não atenderem à norma, receberam notas menores no critério.

O pH dos produtos, que deve ser próximo ao da pele (entre 4,6 e 5,8) também foi verificado. Todos estavam fora dessa faixa, com exceção do Urca e Kalipto.

Nossos testes ajudam os consumidores a tomarem as melhores decisões de compra. Mas, se tiver problemas, não deixe de reclamar! CONHEÇA O RECLAME arrow_right_alt