Excesso de aparelhos eletrônicos contribui para a obesidade infantil

Excesso de aparelhos eletrônicos contribui para a obesidade infantil

Entre 2006 e 2016, o índice de obesidade infantil passou de 16,8% para 21,7%. Um dos vilões é a excessiva utilização de aparelhos eletrônicos

O aumento na taxa de obesidade infantil está despertando um alerta na comunidade médica. Entre 2006 e 2016, o índice de obesidade entre crianças e adolescentes passou de 16,8% para 21,7%. Os dados foram apresentados pela Endocrinologista pediátrica Louise Cominato, durante o congresso da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

A médica aponta que um dos vilões para o aumento de peso nessa faixa etária é a excessiva utilização de aparelhos eletrônicos. Segundo ela, “cerca de metade passa mais de cinco horas brincando em computadores, celulares e tablets. Isso é tempo demais”, disse Louise.

Além disso, a endocrinologista ressaltou que toda criança deve ter o IMC calculado frequentemente. “Não há uma fórmula fixa, como no caso dos adultos. Mas todo profissional de saúde que atende crianças e adolescentes deve ter acesso fácil à tabela da Organização Mundial de Saúde para saber a condição do seu paciente”.

Ela destacou ainda que o risco de diabetes tipo 2 é quatro vezes maior em crianças e jovens que se encontram com um IMC acima do normal. “Pela nossa experiência, mais de 70% têm resistência à insulina e outros problemas relacionados à síndrome metabólica.”

Menos eletrônicos

Para evitar o sedentarismo e outros hábitos que favorecem a obesidade infantil, a Academia Americana de Pediatria estabeleceu um limite. De acordo com a instituição, o máximo permitido é de duas horas por dia diante de telas eletrônicas. No entanto, isso é válido apenas para crianças acima dos 2 anos de idade, nunca antes.

Outra recomendação da médica para crianças que já estão com obesidade, é o cuidado com a alimentação. Segundo ela, deve ser adotada uma dieta hipocalórica, de preferência totalmente personalizada. Louise afirma que nesse caso é mais possível obter maior sucesso e aderência.

“O objetivo número 1 é organizar os horários para a alimentação. Além disso, devemos incentivar o consumo de alimentos e bebidas com qualidade nutricional. É necessário ainda dar o apoio emocional, até com psicoterapia, se for o caso. Também é importante motivar as crianças com obesidade a levar uma vida mais ativa.” Isso inclui, é claro, deixar as telinhas um pouco de lado.