Outubro Rosa: é preciso manter rotina de exames, apesar da pandemia

Outubro Rosa: é preciso manter rotina de exames, apesar da pandemia

Mastologista ressalta a importância do diagnóstico precoce de câncer de mama para evitar casos mais graves; saiba quais exames devem ser cobertos pelos planos

Outubro chegou e, com ele, vem a conscientização sobre a saúde da mulher. No Outubro Rosa, as mulheres são lembradas da importância dos exames para a detecção do câncer de mama e de colo de útero. Mas a pandemia e o medo da contaminação afastaram muitos pacientes de hospitais e fizeram com que exames fossem adiados, incluindo os que podem detectar câncer de mama. O alerta foi feito mastologista Marcelo Bello em artigo na revista Proteste de outubro. Diretor do Hospital do Câncer 3, uma unidade do Instituto Nacional do Câncer (INCA), ele sustenta que é necessário retomar a realização dos exames.

O médico cita uma pesquisa do Reino Unido que projeta uma alta de até 20% nas mortes por câncer nos próximos 12 meses devido à demora no diagnóstico. “A recomendação no momento é que esses exames de rastreamento para o câncer de mama devam retornar, de acordo com a fase de cada cidade e respeitando as medidas de segurança para a infecção pela Covid-19”, disse Bello em artigo da revista PROTESTE.

Problemas com plano de saúde? Reclame com a ajuda da PROTESTE.

Caso seja preciso tratar de algum caso, ele tranquiliza: “é possível manter o tratamento de forma segura, semelhante ao cenário anterior à pandemia”. Ele afirmou também que “recentes estudos publicados sugerem que a taxa de mortalidade em pacientes com câncer de mama e infecção pela covid-19 está mais relacionada às condições clínicas e à idade dos pacientes do que ao tratamento propriamente dito, incluindo cirurgia, quimioterapia, radioterapia e outros.”

Câncer de mama é o segundo que mais acomete as mulheres

Outro câncer deve estar no radar das mulheres: o câncer de colo de útero. Aquelas que têm plano de saúde precisam saber que há exames para detectar essas doenças incluídos na lista de serviços obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ou seja, os planos devem cobri-los.

A importância do diagnóstico fica clara quando se olha para a incidência destes dois cânceres no país. Segundo dados do INCA, o câncer de colo de útero é o terceiro com maior incidência entre as mulheres, logo atrás do de mama. Além disso, o INCA estima mais 66.280 casos de câncer de mama em 2020.

Como fazer o diagnóstico?

Além do exame clínico (quando um profissional de saúde faz o exame das mamas), as principais formas de diagnosticar o câncer de mama são mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. Mas a confirmação depende de uma biópsia, quando um fragmento do nódulo ou lesão é retirado para análise.

O Ministério da Saúde recomenda mamografia de rotina para mulheres sem sintomas ou sinais de doença nas mamas que tenham entre 50 e 69 anos, uma vez a cada dois anos.

Já o câncer de colo de útero pode ser identificado com exame pélvico (vagina, colo do útero, útero e ovário), exame preventivo (Papanicolau) e colposcopia (quando se usa o colposcópio para analisar a vagina e o colo do útero para detectar lesões anormais). Assim como no câncer de mama, é necessária uma biópsia. Neste caso, ela é feita se o Papanicolau identificar células anormais.

O que os planos de saúde cobrem?

A cobertura de cada plano de saúde varia de acordo com o tipo do plano contratado. No entanto, alguns procedimentos fazem parte do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Ele nada mais é do que uma lista dos procedimentos básicos que todo plano de saúde deve cobrir (sem custos adicionais).

plano de saude“Mas é importante que os consumidores tenham atenção ao segmento do seu plano, pois o rol de coberturas obrigatórias varia conforme a segmentação contratada e disposições contratuais”, ressalta Juliana Moya, especialista em relações institucionais da PROTESTE.

Segundo a ANS, os planos devem cobrir os procedimentos preventivos de: mamografias, exames laboratoriais, pesquisas genéticas e teste de Papanicolau. 

No caso dos exames diagnósticos, estão no rol: exames de imagem como ultrassonografias (transvaginal e mamária), tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT.

Aquelas que precisarem de tratamentos, têm direito a cirurgias convencionais e minimamente invasivas, radioterapias e quimioterapias.

A lista inclui, além disso, a reconstrução mamária após mastectomia. E, em caso de indicação, os planos devem cobrir atenção multiprofissional, ou seja, o acompanhamento por psicoterapeuta, fisioterapeuta, nutricionista, conforme a recomendação médica.

Se o plano se recusar a oferecer as coberturas previstas no rol da ANS, o consumidor pode fazer valer seus direitos. Para isso, ele “pode pode efetuar uma reclamação à ANS, que poderá aplicar uma sanção (multa) à empresa responsável, e pode também requerer judicialmente a cobertura imediata dos custos do procedimento em causa”, explica Moya.

Vale lembrar que o Sistema Único de Saúde (SUS) realiza mamografias e biópsias, além de exames preventivos de câncer de colo de útero de forma gratuita. A recomendação do INCA é procurar a Secretaria de Saúde de cada município para obter mais informações.

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