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Obesidade no Brasil: por que ela virou o maior risco à saúde

Os números da obesidade no Brasil representam uma emergência de saúde pública. Mais de 60% dos brasileiros adultos estão acima do peso. O Ministério da Saúde registrou que o excesso de peso passou de 42,6% para 62,6% em 18 anos, enquanto a obesidade mais que dobrou, saltando de 11,8% para 25,7% entre 2006 e 2024. O crescimento tem sido mais expressivo entre adultos jovens de 25 a 34 anos e entre mulheres.

O avanço transformou a obesidade no maior fator de risco à saúde no Brasil, superando a hipertensão, que ocupou esse posto por décadas. Em resposta, o Ministério da Saúde ampliou em 58% os atendimentos contra obesidade na Atenção Primária em três anos, passando de 6,2 milhões de pessoas atendidas em 2022 para 9,7 milhões em 2025.

Infográfico com dados de obesidade no brasil

Informações do Ministério da Saúde

Qual é a diferença entre sobrepeso e obesidade?

O sobrepeso e a obesidade são avaliados pelo Índice de Massa Corporal, o IMC, calculado dividindo o peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, IMC entre 25 e 29,9 indica sobrepeso. Igual ou acima de 30 indica obesidade. Acima de 40, o quadro é classificado como obesidade grave.

O IMC é uma ferramenta de triagem, mas tem limitações. Ele não diferencia massa muscular de gordura nem considera a distribuição de gordura no corpo. Por isso, o diagnóstico completo depende de avaliação médica, que pode incluir medidas como circunferência abdominal e exames laboratoriais.

Quais são os riscos da obesidade para a saúde?

A obesidade é uma doença crônica, inflamatória e metabólica que aumenta simultaneamente o risco de várias condições graves. Entre os principais, segundo o Ministério da Saúde:

De acordo com o INCA, cerca de 13 em cada 100 casos de câncer no Brasil estão associados ao sobrepeso e à obesidade. A relação com o diabetes tipo 2 é direta: o Ministério da Saúde aponta que o diagnóstico de diabetes entre adultos passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, no mesmo período em que a obesidade mais que dobrou.

A obesidade tem cura?

Não, mas tem controle. Como outras doenças crônicas, a obesidade não desaparece definitivamente, mas pode ser tratada com acompanhamento adequado, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O tratamento tem como base mudanças no estilo de vida. O Ministério da Saúde investiu R$ 51 milhões para habilitar 582 novas unidades do Programa Academia da Saúde, que registrou aumento de 95% nas atividades físicas oferecidas desde 2023. Quando mudanças no estilo de vida não são suficientes, o médico pode indicar medicamentos. Casos mais graves podem chegar à indicação de cirurgia bariátrica. A Anvisa já aprovou medicamentos específicos para o tratamento da obesidade, indicados em casos selecionados pelo médico.

O que causa a obesidade?

A obesidade é multifatorial. Ela resulta de uma combinação de fatores genéticos, metabólicos, ambientais e comportamentais. A genética contribui com cerca de 70% para o risco, segundo a SBEM.

Isso significa que obesidade não é simplesmente uma questão de disciplina individual. Os dados do Ministério da Saúde mostram que 25,5% dos brasileiros consumiam cinco ou mais grupos de ultraprocessados por dia em 2024, e menos de 12% se exercitavam durante os deslocamentos diários. O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação e reduzir o consumo de ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos e refrigerantes, associados ao aumento do risco de obesidade, diabetes e doenças cardíacas.

Como saber se tenho obesidade?

O primeiro passo é calcular o IMC dividindo o peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado. Resultado igual ou acima de 30 indica obesidade, conforme critérios da OMS.

Mas o número isolado não basta. Pessoas com sobrepeso que já têm hipertensão, diabetes ou colesterol alterado também podem precisar de acompanhamento, segundo a SBEM. Quem tem histórico familiar de doenças crônicas deve buscar avaliação médica mesmo sem sintomas evidentes. Reconhecer sinais de pré-diabetes é parte importante dessa vigilância, já que a condição costuma aparecer junto com o excesso de peso.

O SUS oferece tratamento para obesidade?

Sim. O Ministério da Saúde ampliou a rede de cuidado na Atenção Primária: em 2025, 9,7 milhões de pessoas foram acompanhadas nas unidades básicas de saúde, contra 6,2 milhões em 2022. O Programa Academia da Saúde oferece atividade física gratuita em espaços públicos, com 1.779 estabelecimentos credenciados em todo o país.

Quando procurar atendimento médico?

Vale consultar um médico quando houver ganho de peso progressivo com dificuldade de revertê-lo com mudanças de hábito, quando o IMC estiver acima de 30, ou quando já existirem condições associadas como pressão alta, diabetes ou apneia do sono.

Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade está associada a cerca de 12,6% do total de mortes no Brasil. Reconhecê-la como doença, e não como questão estética ou de disciplina, é o primeiro passo para buscar o cuidado adequado.

A obesidade chegou ao topo do ranking de riscos à saúde no Brasil, mas é uma doença tratável. O caminho começa com informação e, quando necessário, com apoio médico para entender quais opções fazem mais sentido para cada caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Confira as principais duvidas

O que é obesidade?

É uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, diagnosticada quando o IMC é igual ou superior a 30, segundo a OMS. Está associada a diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Qual é a diferença entre sobrepeso e obesidade?

Sobrepeso é o IMC entre 25 e 29,9. Obesidade começa no IMC 30. Ambas elevam riscos à saúde, mas a obesidade está associada a complicações mais graves.

A obesidade tem cura?

Não tem cura, mas tem controle. Com tratamento adequado, é possível reduzir o peso, controlar os sintomas e diminuir os riscos associados.

O que causa a obesidade?

A obesidade é multifatorial: envolve genética, metabolismo, alimentação, sedentarismo e fatores ambientais. A genética contribui com cerca de 70% do risco. Não é uma questão de falta de disciplina.

Como calcular o IMC?

Divida seu peso em quilogramas pela sua altura em metros ao quadrado. Abaixo de 18,5 é abaixo do peso; entre 18,5 e 24,9 é normal; entre 25 e 29,9 é sobrepeso; 30 ou mais é obesidade.

Quantos brasileiros estão acima do peso?

Segundo o Ministério da Saúde, 62,6% dos adultos brasileiros vivem com excesso de peso e 25,7% com obesidade, dados registrados em 2024.

O SUS oferece tratamento para obesidade?

Sim. Em 2025, o Ministério da Saúde atendeu 9,7 milhões de pessoas com obesidade na Atenção Primária, 58% mais do que em 2022. O Programa Academia da Saúde oferece atividade física gratuita em 1.779 unidades no país.

Quando devo procurar médico por causa do peso?

Quando o IMC estiver acima de 30, quando houver dificuldade de perder peso com mudanças de hábito, ou quando já existirem condições como pressão alta, diabetes ou apneia do sono.

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