Os procedimentos estéticos com ácido hialurônico conquistaram o mundo por oferecerem resultados imediatos, recuperação rápida, riscos baixos e dispensa de cirurgia. O Brasil acompanha de perto essa tendência.
Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), o país registrou mais de 3,1 milhões de intervenções não-cirúrgicas em 2024. O ácido hialurônico garantiu o segundo lugar na preferência nacional, presente em 22,99% dos casos (cerca de 176 mil). A liderança permanece com a toxina botulínica (botox), que responde por 45,7% (351,4 mil) das aplicações.
Contudo, nenhum procedimento estético é totalmente isento de riscos. Embora o mercado destaque os benefícios, pouco se fala sobre os cuidados necessários. Você conhece as contraindicações e os efeitos adversos da substância? Explicamos os detalhes a seguir.
O que é e para que serve o ácido hialurônico?
O ácido hialurônico é uma substância produzida naturalmente pelo organismo. Ele está presente na pele, nos olhos, nas cartilagens e nas articulações. Com o envelhecimento, a sua produção diminui, o que favorece o surgimento de rugas.
Na estética, a substância em formato de gel injetável atua como preenchedor facial ou dérmico. Suas principais aplicações incluem:
- Reduzir olheiras;
- Aumentar o volume dos lábios;
- Corrigir sulcos (como o “bigode chinês”, entre o nariz e a boca);
- Rejuvenescer a zona das orelhas;
- Eliminar cicatrizes de acne;
- Dar mais firmeza às maçãs do rosto.
Estímulo extra: Segundo a médica dermatologista Priscila Rettore Leandro, a substância também estimula indiretamente a produção de colágeno — proteína responsável pela estrutura, firmeza e elasticidade da pele, além da sustentação de ossos, cartilagens, tendões e cabelos. O produto ainda redefine contornos faciais como a mandíbula e o queixo, variando em densidade e formulação conforme a área tratada.

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Efeito imediato e o caminho para a reversão
Diferente do botox, que age relaxando os músculos, o ácido hialurônico preenche e hidrata a derme de forma imediata. A aplicação ocorre nas camadas média a profunda da pele por meio de seringa ou cânula, sob anestesia local.
Os resultados duram de seis meses a um ano, variando conforme a região do rosto, a profundidade e as características biológicas do paciente.
Possíveis reações e efeitos adversos
As reações comuns no pós-procedimento incluem:
- Nódulos transitórios;
- Sensibilidade e dor;
- Inchaço e hematomas;
- Eritema (manchas vermelhas com comichão).
Em cenários mais graves, o paciente pode enfrentar infecções, nódulos crônicos, reativação de herpes labial e até necrose (morte) dos tecidos causada pela obstrução de vasos sanguíneos.

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Como funciona a reversão?
Se houver complicações ou insatisfação com o resultado, o procedimento pode ser revertido com a aplicação da enzima hialuronidase.
“Ela é injetada no local onde foi feito o procedimento, quebrando as moléculas de ácido hialurônico e desmontando a estrutura criada. Também pode ser revertido se o paciente não gostar do resultado, se houver algum sinal de isquemia no tecido, como pele mais esbranquiçada, ou se a pessoa sentir uma dor desproporcional à intervenção feita. A isquemia é a situação mais grave, pois pode gerar necrose. É raro, mas possível acontecer”, explica Priscila, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e especialista em cirurgia dermatológica pelo Hospital Santa Casa da Gamboa, no Rio de Janeiro.
Quem pode aplicar o produto?
Mesmo sem demandar centro cirúrgico, as aplicações são consideradas procedimentos invasivos. Por isso, a escolha do profissional exige cautela.
Atualmente, estão autorizados pelos seus respectivos conselhos de classe:
- Médicos (dermatologistas e cirurgiões plásticos);
- Dentistas;
- Biomédicos estetas;
- Farmacêuticos estetas;
- Enfermeiros estetas.
“São intervenções que exigem conhecimentos profundos da anatomia humana e preparo para lidar com as possíveis complicações”, alerta Priscila Rettore.
Segurança em primeiro lugar: quem deve evitar?
O procedimento é contraindicado ou exige avaliação médica rigorosa para indivíduos com:
- Hipersensibilidade ao ácido hialurônico ou componentes da fórmula;
- Histórico de reações alérgicas graves;
- Doenças autoimunes;
- Distúrbios de coagulação;
- Imunodepressão grave.
Restrição absoluta para grávidas e lactantes
O uso do injetável é estritamente proibido para gestantes e mulheres em fase de amamentação.
“Isso acontece porque não existem estudos clínicos controlados que avaliem a segurança do ácido hialurônico injetável em mulheres nessa condição, uma vez que não se faz teste nelas. Não compensa o risco [de possíveis efeitos colaterais]. Mas elas podem usar cremes e sériuns, pois eles atuam superficialmente na epiderme, com função umectante. Não há absorção sistêmica significativa, ou seja, não alcança a circulação sanguínea em níveis relevantes”, esclarece a dermatologista.
Cuidados antes e depois do procedimento
Se você está apto e deseja realizar a intervenção, o primeiro passo é revisar o uso de medicamentos. Substâncias como anti-inflamatórios, ácido acetilsalicílico (AAS), vitamina E, ômega-3 e ginkgo biloba devem ser suspensas previamente, pois elevam o risco de sangramentos e hematomas.
Recomendações pós-procedimento:
- Evite exposição ao calor intenso e ao sol direto;
- Não pratique atividades físicas nas primeiras 24 a 48 horas;
- Evite manipular ou massagear a área tratada (especialmente no dia seguinte).
Aviso da especialista: “Também é importante observar qualquer sinal incomum, como dor intensa ou alteração na cor da pele. Se acontecer, procure o profissional imediatamente”, orienta Priscila. A médica complementa que não há limite de idade para a aplicação: “O que muda é a indicação. Em pacientes mais velhos, o tratamento deve ser mais criterioso e, muitas vezes, associado a outras abordagens. O excesso de preenchimento, nestes casos, pode comprometer a naturalidade do resultado”.
Guia de avaliação: o que checar na clínica ou profissional
A transparência é fundamental para garantir a segurança do seu tratamento estético. Use o checklist abaixo antes de fechar o procedimento:
- PROFISSIONAIS HABILITADOS: Certifique-se de que o profissional possui respaldo do seu conselho de classe. Nota jurídica: De acordo com a Resolução CFBio nº 734/2025, biólogos habilitados em Biologia Estética também passaram a poder executar o procedimento desde maio de 2025, embora a autorização ainda enfrente forte contestação judicial e política. Além deles, médicos, dentistas, biomédicos, farmacêuticos e enfermeiros estetas atuam na área.
- ANAMNESE OBRIGATÓRIA: Exija uma avaliação clínica completa antes da aplicação. O profissional deve analisar seu estado de saúde geral, doenças crônicas, alergias, uso de medicamentos, tabagismo, consumo de álcool e histórico familiar.
- ALINHAMENTO DE MEDICAMENTOS: Informe detalhadamente os remédios que você utiliza. A suspensão de qualquer substância deve envolver o profissional que fará o procedimento e também o médico responsável pela prescrição original.
- TRANSPARÊNCIA NOS RISCOS: O profissional tem o dever de alinhar expectativas e apresentar os benefícios, mas também deve informar claramente sobre os riscos, contraindicações e efeitos adversos, independentemente de serem raros. Esclareça todas as dúvidas antes de iniciar.
- VALORES E PROMOÇÕES: Desconfie de preços excessivamente baixos. Consulte mais de uma clínica e evite tomar decisões sob pressão, principalmente aquelas atreladas a descontos válidos apenas para o mesmo dia.
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