Rio de Janeiro tem novo vírus similar ao chikungunya

Rio de Janeiro tem novo vírus similar ao chikungunya

Vírus similar ao chikungunya, originário da Amazônia, provoca os mesmos sintomas e preocupa especialistas do setor médico

Está circulando no Rio de Janeiro (RJ) um novo vírus similar ao chikungunya , conhecido como mayaro. De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o novo vírus causa sintomas parecidos nas pessoas infectadas, como dores intensas nas articulações. A descoberta reforça as preocupações com a proliferação do vírus , originário da Amazônia, nas grandes cidades. As informações são do jornal O Globo.

Testes de laboratório mostraram que o vírus similar ao chikungunya pode ser transmitido tanto pelo mosquito Aedes quanto pelo pernilongo comum (C ulex ). Com isso, é potencializado o risco de epidemia, destaca Amílcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ.

O mayaro está no Rio desde 2016, porém, vem sendo confundido com o chikungunya. Os pesquisadores destacam ainda que a gravidade da descoberta é que os casos são autóctones. Ou seja, as pessoas foram infectadas no próprio estado, não viajaram para regiões endêmicas.

O sofrimento dos pacientes e o tratamento são os mesmos. Dessa forma, o que muda é a dificuldade de controlar epidemias, com mais um vírus em circulação

Pesquisadores querem controlar epidemia

Já foram registrados três casos da doença, todos de Niterói e só foram identificados graças a um estudo molecular. Em escala populacional, os três episódios significam que, de cada cem pessoas com chikungunya , dez têm febre do mayaro.

“O sofrimento dos pacientes e o tratamento são os mesmos. Dessa forma, o que muda é a dificuldade de controlar epidemias, com mais um vírus em circulação”, explica Rodrigo Brindeiro, um dos autores da descoberta e coordenador da Rede Zika da UFRJ.

Assim, o próximo passo dos cientistas será descobrir de onde veio o vírus por meio de análises de genômica e de sorologia. Uma possibilidade é a Amazônia ou algum estado do Centro-Oeste. Outra é que tenha sido trazido do Haiti, onde houve epidemia recente. Ele também poderia ter sido trazido por imigrantes ou militares que integravam as forças brasileiras a serviço da ONU.

O estudo de isolamento e análise por meio da reconstituição do vírus está a cargo da virologista da UFRJ Clarissa Damaso. Sem recursos para ampliar a pesquisa, os cientistas esperam analisar ao menos 400 amostras deste ano. O material virá de municípios do Rio, Maricá e Miracema. Eles também destacam a importância de procurar o mayaro nos mosquitos do Rio.

“Precisamos saber que vírus estão em circulação. O clima está favorável à proliferação de mosquitos. É uma grave questão de saúde pública”, frisa Tanuri.

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