A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o uso de medicamentos injetáveis indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes. A medida ocorre após o aumento de notificações de casos de pancreatite associados a esses medicamentos no Brasil. Esses produtos são popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
Segundo a Anvisa, os medicamentos devem ser usados apenas conforme as indicações aprovadas em bula. Além disso, o órgão reforça que a prescrição e o acompanhamento médico são obrigatórios durante todo o tratamento.
O alerta foi divulgado nesta segunda-feira (9). No documento, a agência cita medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. De acordo com a Anvisa, houve crescimento recente no número de notificações de inflamação no pâncreas relacionadas ao uso dessas substâncias.
Seis mortes são investigadas no Brasil
De acordo com dados obtidos em primeira mão pelo g1, o Brasil investiga seis mortes por pancreatite associadas ao uso desses medicamentos. Os registros ainda são considerados suspeitos. Por isso, seguem em análise, processo que pode levar anos até a conclusão final.
As notificações registradas no sistema Vigimed indicam:
- 2 casos suspeitos associados ao uso de Ozempic
- 3 casos suspeitos associados ao uso de Saxenda
- 1 caso suspeito associado ao uso de Mounjaro
Além das mortes sob investigação, a Anvisa analisa mais de 200 casos de pessoas que apresentaram problemas no pâncreas durante o uso desses medicamentos.
A agência também alerta que as notificações citam nomes comerciais. No entanto, nem todos os casos envolvem produtos originais. Isso ocorre porque há registros de canetas falsificadas ou manipuladas sendo oferecidas de forma ilegal no mercado.
Alerta internacional reforça atenção ao risco
O cenário brasileiro ganhou ainda mais atenção após um alerta da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), do Reino Unido. No país, foram registradas 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso de medicamentos da classe GLP-1 entre 2007 e outubro de 2025.
Esses registros incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante. Essa é uma forma grave da doença, caracterizada pela morte de tecido pancreático. Segundo a MHRA, embora os eventos sejam raros, alguns casos foram graves e fatais.
Diante disso, a agência britânica orienta que usuários procurem atendimento médico imediato caso apresentem dor intensa e persistente no estômago e nas costas. Esses são sintomas típicos de pancreatite aguda.
O que são os medicamentos citados no alerta
Os medicamentos mencionados pertencem à classe dos agonistas do GLP-1. Esse hormônio atua no controle do apetite e da glicose no sangue. Entre as substâncias citadas pela Anvisa estão semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida.
Esses medicamentos imitam um hormônio liberado após a alimentação. Com isso, prolongam a sensação de saciedade e ajudam no controle metabólico. Segundo o endocrinologista Marcio Mancini, em matéria publicada na Revista Proteste:
“Ao melhorar a secreção de insulina, ele também impede que a glicose suba demais no sangue. A diferença, com o uso da medicação, é que a pessoa vai ficar 24 horas com esse hormônio mais alto na corrente sanguínea e não somente no momento da refeição”.

A pancreatite já consta como reação adversa descrita em bula desses medicamentos no Brasil. Ainda assim, a Anvisa afirma que o alerta foi motivado pelo aumento recente das notificações, e não por uma conclusão definitiva sobre a causa dos casos.
Anvisa orienta suspensão diante de suspeita de pancreatite
No comunicado, a Anvisa orienta profissionais de saúde a suspender imediatamente o uso do medicamento diante de suspeita de pancreatite. Além disso, o órgão reforça a importância da notificação dos casos aos sistemas oficiais de farmacovigilância.
A agência também destaca que ainda não é possível afirmar se os casos investigados foram causados diretamente pelos medicamentos. Segundo a Anvisa, eles podem estar relacionados a doenças pré-existentes, como diabetes e obesidade, que já aumentam o risco de pancreatite.
Fabricantes reforçam alertas em bula
As empresas responsáveis pelos medicamentos citados informaram que a pancreatite é uma reação adversa conhecida e já descrita em bula.
A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Saxenda, informou que existe uma advertência de classe para terapias baseadas em incretina. A empresa também orienta que pacientes interrompam o tratamento em caso de suspeita de pancreatite.
Já a Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, informou que a inflamação do pâncreas é uma reação adversa incomum. A empresa orienta que os pacientes conversem com seus médicos sobre sintomas e riscos.
Uso segue autorizado, com reforço no acompanhamento médico
Autoridades sanitárias no Brasil e no exterior reforçam que não há recomendação para suspender o uso dos medicamentos de forma generalizada. O alerta tem como objetivo fortalecer a prescrição responsável, o acompanhamento médico contínuo e a atenção aos sinais clínicos.
Por fim, a Anvisa informou que passou a exigir a retenção da receita médica na venda desses medicamentos. A medida busca coibir o uso sem orientação profissional. Segundo o órgão, novas ações regulatórias podem ser adotadas caso outros riscos sejam identificados.
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