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Consumo de cigarro no Brasil volta a crescer após 20 anos

O consumo de cigarro no Brasil cresceu após duas décadas de queda. Segundo dados de 2024 do Ministério da Saúde, o índice de adultos que consomem cigarro ou nicotina subiu de 9,3% para 11,6% em apenas um ano. Esse aumento de 25% acende um alerta vermelho para a saúde pública e para a economia nacional.

O impacto financeiro e social do fumo

Embora a tendência histórica fosse de redução, o tabagismo ainda mata cerca de 174 mil pessoas anualmente no país. Conforme o estudo “A Conta que a Indústria do Tabaco Não Conta” (INCA, 2025), o prejuízo é imenso:

Por que os brasileiros estão fumando mais?

De acordo com Maria Enedina Scuarcialupi, pneumologista e coordenadora na SBPT, a popularização dos cigarros eletrônicos é a principal vilã. A indústria direcionou estratégias de marketing agressivas para os jovens entre 18 e 24 anos, utilizando sabores e embalagens atraentes.

“A indústria criou uma estratégia para encantar os jovens, alegando que os produtos eram apenas vapor d’água, sem química. Isso fez as pessoas baixarem a guarda”, explica a médica.

A proibição no Brasil e o mercado ilegal

A Anvisa proíbe a comercialização e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar desde 2009. Recentemente, a RDC n° 855/2024 reforçou a proibição inclusive em recintos coletivos fechados. Entretanto, o mercado ilegal facilita o acesso através da internet.

Vape: o perigo disfarçado de tecnologia

O vape é o modelo mais popular de cigarro eletrônico. Ele utiliza uma bateria para aquecer um líquido e transformá-lo em vapor. Contudo, essa fumaça não é inofensiva. Um estudo da Texas Health and Human Services (HHSC) revela que os vaporizadores emitem 31 produtos químicos tóxicos.

Por que o vício é tão rápido? A nicotina libera dopamina, gerando prazer imediato. Em jovens, os neurônios imaturos possuem maior propensão à dependência. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), um único vape pode equivaler a um maço inteiro de 20 cigarros comuns.

Relatos reais: a luta contra a dependência

A teoria se confirma na prática através de histórias como a de Karla Gonçalves Salvador. A psicóloga iniciou o hábito na adolescência e viu o uso eventual se tornar um vício severo aos 22 anos.

“Eu não conseguia respirar, tipo peixe fora d’água, mas ainda tentava fumar”, relembra Karla. O desconforto de uma crise de ansiedade profunda em 2017 foi o gatilho para ela abandonar o vício. Hoje, aos 60 anos, ela recuperou a disposição física que o cigarro havia roubado.

Outro caso grave é o de Marta Maria Moreira de Carvalho. Após dez anos fumando um maço por dia, ela sofreu perdas severas na saúde bucal. “Tive um problema grave na gengiva e perdi todos os dentes”, conta Marta, que hoje celebra a recuperação do apetite e do sono após parar de fumar.

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Consequências do tabagismo para o corpo

A médica Maria Enedina alerta que as substâncias afetam o endotélio (camada interna dos vasos sanguíneos), causando tontura, tosse e hipertensão.

Principais riscos à saúde:

A relação entre fumo e tuberculose

Diferente do que muitos pensam, o tabaco não causa a tuberculose diretamente, mas destrói as defesas da árvore respiratória. Isso cria o ambiente ideal para a entrada do bacilo transmissor da doença.

Entenda as diferenças entre o cigarro comum e o eletrônico

Embora ambos entreguem nicotina ao organismo, o funcionamento desses produtos ocorre de formas distintas. O cigarro comum, também chamado de comburente, atua por meio da combustão. Isso significa que, ao acender o papel e o tabaco, o fogo queima as substâncias e gera uma fumaça que o fumante inala diretamente para a corrente sanguínea. Em sua composição, destacam-se o alcatrão e o monóxido de carbono, que reduzem drasticamente a capacidade do sangue de transportar oxigênio.

Por outro lado, o cigarro eletrônico opera pelo sistema de vaporização. Nesse caso, uma bateria aquece uma resistência que transforma um líquido (geralmente composto por glicerina, álcool e aromatizantes) em vapor. Diferentemente do modelo tradicional, os dispositivos eletrônicos podem conter doses muito mais perigosas de nicotina. Enquanto o cigarro convencional possui cerca de 1 mg por ml da substância, os vapes podem alcançar a marca de 57 mg por ml.

Além disso, o impacto na saúde apresenta particularidades em cada categoria. O cigarro comum é um fator de risco consolidado para diversos tipos de câncer e doenças cardiovasculares devido ao acúmulo de monóxido de carbono no corpo. Já o cigarro eletrônico, além do alto poder de dependência, tem provocado doenças pulmonares e danos ao endotélio de forma muito mais precoce, atingindo usuários jovens que muitas vezes desconhecem a toxicidade dos compostos inalados.

A importância de retomar o controle

Em suma, o aumento recente no número de fumantes no Brasil mostra que a luta contra o tabagismo exige atenção constante. Visto que a indústria se reinventa com dispositivos tecnológicos e sabores atrativos, a conscientização torna-se a ferramenta mais poderosa de prevenção. Conforme alertado pela Dra. Maria Enedina, o uso de vapes não é uma alternativa segura, mas sim uma porta de entrada para uma dependência química severa e precoce.

Portanto, entender que o cigarro eletrônico pode equivaler a um maço inteiro de cigarros comuns é fundamental para desconstruir a imagem de “vapor inofensivo”. Os relatos de Karla e Marta demonstram que, embora o caminho para abandonar o vício seja desafiador, a recuperação da saúde e da liberdade compensa o esforço. Afinal, investir na cessação do tabagismo é, acima de tudo, garantir que as futuras gerações não fiquem presas a uma conta que a saúde pública e o corpo não podem pagar.

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