Casos importados de sarampo voltaram a acender o alerta no Brasil e levaram o Ministério da Saúde a intensificar a vacinação em municípios da Grande São Paulo. A vacina contra o sarampo é gratuita no SUS, mas a recomendação muda conforme a idade, o histórico vacinal e o local onde a pessoa vive ou circula.
A principal novidade para muitas famílias é a dose zero, aplicada em bebês de 6 a 11 meses quando há risco aumentado de transmissão. Ela oferece proteção adicional nesse período, mas não substitui as doses previstas no calendário infantil.
Por que o sarampo voltou a preocupar
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus antes mesmo das manchas vermelhas aparecerem.
Em 2026, o Ministério da Saúde registrou casos relacionados à importação do vírus. Até meados de agosto, havia 24 casos confirmados no país, dos quais 21 permaneciam em acompanhamento no estado de São Paulo. O Brasil continua certificado como livre da circulação endêmica do sarampo, mas o aumento de casos nas Américas eleva o risco de novas importações.
A situação levou à ampliação temporária da vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nesses locais, a estratégia alcança pessoas de 6 meses a 59 anos, conforme as orientações locais e a avaliação da equipe de saúde.
O que é a dose zero da vacina contra sarampo
A dose zero é uma aplicação adicional da vacina tríplice viral para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias em contextos de maior risco, como surtos, circulação do vírus ou ações de bloqueio vacinal.
Ela recebe esse nome porque é aplicada antes da primeira dose do calendário de rotina. A proteção gerada nessa faixa etária pode ser menor ou durar menos, devido à presença de anticorpos maternos. Por isso, a dose não conta como parte do esquema regular.
Mesmo depois de receber a dose zero, a criança deve tomar:
- a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses;
- a segunda dose aos 15 meses, com a tetraviral ou conforme a vacina disponível e a orientação do SUS.
Se o bebê tomou a dose zero, não é sinal de que está com o calendário completo. A família deve guardar o comprovante e voltar à unidade de saúde nas idades previstas.
Quem deve tomar a vacina contra sarampo
Na rotina nacional, a indicação depende da idade e da comprovação de vacinação:
- Crianças de 12 meses a menores de 5 anos: devem receber duas doses, a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
- Pessoas de 5 a 29 anos: quem não tiver comprovação deve iniciar ou completar o esquema de duas doses, respeitando o intervalo mínimo recomendado pelo serviço de saúde.
- Pessoas de 30 a 59 anos: quem não comprovar vacinação anterior deve receber pelo menos uma dose.
- Profissionais de saúde: devem manter duas doses documentadas, independentemente da idade, conforme a recomendação do calendário.
- Bebês de 6 a 11 meses: recebem a dose zero quando a autoridade de saúde indica a estratégia para a região ou em uma ação de bloqueio.
Campanhas locais podem ampliar temporariamente o público. Por isso, quem mora, trabalha, estuda ou circula por uma área com recomendação especial deve confirmar a orientação na unidade de saúde do município.

Calendário de vacinação contra o sarampo | Ministério da Saúde
Quem já tomou a vacina precisa repetir?
Fora das campanhas indiscriminadas, quem tem o esquema completo e consegue comprová-lo normalmente não precisa reiniciar a vacinação. Não há necessidade de repetir todas as doses porque a caderneta foi perdida sem antes passar por avaliação.
Se não houver comprovante, a equipe da unidade de saúde verificará a idade, a situação epidemiológica e as regras vigentes. Em algumas situações, poderá recomendar a vacinação. Tomar uma dose adicional por falta de comprovação costuma ser preferível a permanecer desprotegido, mas a decisão deve ser feita pelo serviço de saúde.
Quem não pode tomar a tríplice viral
A tríplice viral é uma vacina de vírus vivos atenuados. Ela não deve ser aplicada durante a gestação. Pessoas com imunossupressão importante ou que tiveram reação alérgica grave a uma dose anterior ou a componentes do imunizante precisam de avaliação profissional.
Quem está com febre ou doença aguda deve informar a equipe antes da aplicação. Resfriados leves, em geral, não impedem a vacinação, mas a decisão deve considerar o estado clínico.
Mulheres vacinadas devem seguir a orientação do serviço de saúde sobre o intervalo antes de engravidar. Quem está amamentando normalmente pode receber a vacina.
Quais são os sintomas do sarampo
Os sintomas iniciais podem parecer os de outras infecções respiratórias:
- febre alta;
- tosse;
- coriza;
- olhos vermelhos e irritados;
- mal-estar;
- manchas vermelhas que costumam começar no rosto e se espalhar pelo corpo.
O sarampo pode causar complicações como pneumonia, infecção de ouvido, diarreia intensa, encefalite e, em casos graves, morte. Crianças pequenas, gestantes, pessoas desnutridas e pessoas com imunidade comprometida têm maior risco de complicações.
O que fazer diante de suspeita ou contato com um caso
Quem apresenta febre e manchas vermelhas, especialmente após viagem, contato com viajante ou circulação em local com casos, deve procurar orientação de saúde rapidamente. Antes de ir à unidade, é recomendável telefonar e avisar sobre a suspeita para reduzir a exposição de outras pessoas na sala de espera.
A pessoa deve evitar contato próximo, transporte coletivo e ambientes compartilhados até receber orientação. Não é indicado ir diretamente a vários serviços de saúde, pois isso pode ampliar a transmissão.
Contatos de um caso suspeito ou confirmado podem precisar de vacinação de bloqueio em prazo curto. A equipe de vigilância define a conduta conforme idade, condição clínica, histórico vacinal e tempo desde a exposição.
Como conferir a caderneta e se vacinar
Leve à unidade de saúde a caderneta de vacinação e um documento de identificação. Se não tiver a caderneta, informe as vacinas que lembra ter recebido e peça a avaliação do registro disponível no sistema.
A vacina contra o sarampo está disponível gratuitamente no SUS. Como estratégias locais podem mudar com a situação epidemiológica, consulte a secretaria de saúde do município ou a unidade básica mais próxima antes de se deslocar, sobretudo para saber se a dose zero está indicada onde você mora.
A PROTESTE
Gostou do conteúdo? Continue navegando no portal Minha Saúde.
E lembre-se, a PROTESTE é uma associação consumerista. Qualquer problema, você, consumidor, pode registrar gratuitamente uma reclamação no RECLAME, da PROTESTE. Além disso, associados podem pedir o apoio dos especialistas do Serviço de Defesa do Consumidor.
Inclusive, se o assunto é consumo, a PROTESTE te ajuda também a escolher os melhores alimentos e eletrodomésticos experimente o Guia de Compras da PROTESTE. A ferramenta está disponível gratuitamente no nosso aplicativo. Para aproveitar, basta baixar o app no seu smartphone, fazer um cadastro e comparar produtos, entendendo as diferenças entre modelos para tomar decisões mais assertivas.