O descarte inadequado de pilhas e baterias pode afetar não só o meio ambiente, mas a saúde dos animais e da população
Com o aumento da produção e comercialização de eletroeletrônicos, cresce também a quantidade de lixo provenientes desses aparelhos. Conforme o documento “The Global E-Waste Monitor 2020: Quantities, Flows and The Circular Economy Potential”, do United Nations Institute for Training and Research (UNITAR), o mundo gerou 53,6 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2019. Em meio a esse cenário, é importante compreender que o descarte incorreto desses resíduos, como pilhas e baterias, pode causar problemas ambientais e afetar a saúde da população e dos animais.
De acordo com o documento do UNITAR citado acima, na América do Sul, o Brasil é o país que mais gera resíduos eletrônicos. O relatório “Resíduos Eletrônicos no Brasil” de 2023, da Green Eletron, destacou que esses itens possuem substâncias capazes de contaminar o meio ambiente, como o solo e as reservas hídricas (fontes de água na natureza). Por apresentarem esse risco, as pilhas e baterias não devem ser descartadas no lixo comum de casa – ou seja, em meio a materiais como alimentos, embalagens, papel, vidro, plástico, entre outros.
Além disso, Marcellie Dessimoni Giratola, engenheira ambiental e coordenadora da Comissão Crea-SP Jovem, complementa que esses dois dispositivos não devem ser descartados no lixo da rua, em bueiros ou enterrados no quintal.
A especialista explica que as pilhas e baterias possuem metais pesados, como mercúrio, chumbo e cádmio. Essas substâncias são altamente tóxicas à natureza e, se entrarem no nosso organismo, podem “acumular [no corpo] e gerar efeitos crônicos, causando doenças”.
Como separar pilhas e baterias para descarte?
As pilhas e baterias fazem parte do conjunto de peças de vários produtos, como controles remotos, brinquedos e celulares. Quando esses dois itens deixam de funcionar, o primeiro passo é: não misturá-los com resíduos comuns. “O ideal é sempre armazená-los separadamente, em potes plásticos ou embalagens vedadas, longe do calor e da umidade”, orienta Marcellie.
Ainda, a profissional recomenda que esses recipientes sejam identificados e mantidos fora do alcance de crianças. Ainda, vale esperar as pilhas e baterias acumularem um pouco para, em seguida, levar uma boa quantidade a um ponto de coleta autorizado mais próximo da residência.
“Essa separação dentro de casa evita contaminações e facilita a destinação correta desses resíduos perigosos”, acrescenta.
Como encontrar pontos de coleta?

Com o descarte correto, pilhas e baterias podem ser recicladas e usadas em produtos novos (Fonte: Freepik).
Conforme um levantamento destacado no relatório da Green Eletron citado acima, em 2023, a taxa de pessoas que nunca ouviram falar de pontos de coleta de lixo eletrônico era de 29%. Em 2021 esse percentual era de 33%.
Para auxiliar quem tem dúvidas sobre como buscar por esses coletores, Marcellie elenca alguns locais onde é possível pesquisar por pontos autorizados, como:
- Supermercados;
- Lojas de eletrônicos;
- Agências bancárias;
- Centros de reciclagem.
Outra dica é acessar a página do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir) sobre logística reversa para conferir endereços que possuem um posto de recebimento de pilhas e baterias. Clique aqui para fazer a consulta.
“Depois de coletadas, as pilhas e baterias são encaminhadas para empresas que são licenciadas e que fazem todo o tratamento ou a reciclagem segura dos componentes”, explica a engenheira ambiental.
“A legislação brasileira, por meio da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), na Lei nº 12.305/2010, estabelece que pilhas e baterias devem ser recolhidas por sistemas de logística reversa, ou seja, devolvidas aos fabricantes ou pontos de coleta especializados”, comenta Marcellie.
“Isso garante que os componentes tóxicos não prejudiquem o ecossistema e possibilita a reutilização dos metais que estão presentes na composição desses produtos, reduzindo a exploração de recursos naturais e incentivando a logística reversa como estratégia de gestão de resíduos”, destaca.
Para Marcellie, o descarte incorreto de pilhas e baterias também compromete os esforços do Brasil de incentivo à reciclagem, sustentabilidade e logística reversa. “É importante cobrar as empresas privadas e o poder público para que tenham ações mais efetivas para facilitar o acesso aos pontos de coleta. A responsabilidade é de todos: fabricantes, comerciantes, governos e consumidores”, finaliza.
Testamos para você
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Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.
Colaborou: Giovana Sedano.