O diabetes afeta hoje quase 13% dos adultos brasileiros — e o número não para de crescer. De acordo com a pesquisa Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, o diagnóstico médico da doença entre adultos aumentou 135% entre 2006 e 2024, saltando de 5,5% para 12,9% da população.
No mesmo período, outras condições ligadas ao diabetes também avançaram:
- Obesidade: cresceu 118%
- Excesso de peso: subiu 47%
- Hipertensão: avançou 31%
Como esses problemas frequentemente aparecem juntos, eles elevam o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Por isso, o Dia Nacional do Diabetes (26 de junho) reforça a importância do diagnóstico precoce. Afinal, a principal questão não é apenas checar se você tem sintomas, mas entender quando vale a pena investigar a doença, mesmo sem sentir nada diferente.

Por que o diabetes no Brasil cresceu tanto ?
O avanço da doença acompanha diretamente as mudanças no perfil de saúde dos brasileiros. Portanto, o envelhecimento da população, o sedentarismo, o excesso de peso e a alimentação desequilibrada compõem o cenário ideal para o desenvolvimento do problema.
Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes é uma doença crônica não transmissível ligada à produção insuficiente ou à má absorção de insulina (o hormônio que regula a glicose no sangue). Quando a glicose fica elevada por muito tempo, órgãos e sistemas do corpo sofrem danos. Desse modo, o diabetes não deve ser tratado apenas como “açúcar alto”, mas sim como uma condição que exige diagnóstico, acompanhamento e cuidado contínuo.
Diabetes tipo 1, tipo 2, gestacional e pré-diabetes: as diferenças
- Diabetes Tipo 1
Costuma surgir na infância ou adolescência, embora também possa aparecer em adultos. Está relacionado à destruição das células do pâncreas que produzem insulina, tornando o uso desse hormônio essencial no tratamento. - Diabetes Tipo 2
É o tipo mais comum porque envolve a resistência à insulina ou a produção insuficiente do hormônio ao longo do tempo. Geralmente está associado ao excesso de peso, sedentarismo, envelhecimento e histórico familiar. - Diabetes Gestacional
Surge durante a gravidez e exige acompanhamento rigoroso, já que traz riscos para a gestante e para o bebê. Em alguns casos, a glicose volta ao normal após o parto, no entanto o risco de a mulher desenvolver diabetes tipo 2 no futuro aumenta. - Pré-diabetes
Ocorre quando os níveis de glicose estão acima do normal, mas ainda não atingem os critérios para o diagnóstico de diabetes. Funciona como um sinal de alerta e uma oportunidade real de agir antes que a doença progrida.
Quais sintomas podem indicar diabetes?
O diabetes pode se desenvolver de forma silenciosa, especialmente no tipo 2. Ainda assim, preste atenção se estes sinais aparecerem de forma persistente:
- Sede excessiva e fome frequente
- Vontade de urinar várias vezes ao dia
- Cansaço fora do habitual
- Perda de peso sem explicação
- Visão embaçada
- Feridas que demoram a cicatrizar e infecções frequentes
- Formigamento nos pés ou nas mãos
Importante: esses sintomas não confirmam o diagnóstico por si sós. Na verdade, eles apenas indicam que você deve buscar avaliação médica para investigar a glicose ou outras condições.
Por que investigar mesmo sem sintomas?
No diabetes tipo 2, a glicose pode permanecer alterada por anos sem dar nenhum sinal evidente. Dessa forma, a pessoa se sente bem e só descobre o problema em exames de rotina. Logo, a ausência de sintomas não significa ausência de risco.
O acompanhamento regular ajuda a identificar alterações antes que surjam complicações graves. Portanto, exames periódicos são fundamentais para quem apresenta estes fatores de risco:
- Histórico familiar de diabetes
- Excesso de peso ou obesidade
- Hipertensão, colesterol ou triglicérides alterados
- Sedentarismo
- Diabetes gestacional anterior
- Idade acima de 45 anos
Quais exames ajudam no diagnóstico do diabetes?
O diagnóstico definitivo é feito por exames laboratoriais que avaliam a glicose no sangue. Atualmente, as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) indicam três testes principais:
- Glicemia de jejum: mede a taxa de glicose após um período sem alimentação.
- Hemoglobina glicada: mostra a média aproximada dos níveis de glicose nos últimos dois a três meses.
- Teste oral de tolerância à glicose (TOTG): avalia como o organismo responde após a ingestão de uma quantidade padronizada de glicose.
Lembre-se de que a escolha e a interpretação dos exames devem ser feitas por um profissional de saúde, considerando seu histórico e fatores de risco.
O que pode acontecer sem o acompanhamento adequado?
A glicose elevada por longos períodos pode afetar o coração, rins, olhos, circulação, nervos e membros inferiores. Inclusive, o Ministério da Saúde alerta que as complicações do diabetes sem controle podem incluir:
- Cegueira
- Insuficiência renal
- Ataque cardíaco e AVC
- Amputação de membros
O cuidado com os pés, por exemplo, merece atenção redobrada. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2025 foram registradas 4.227 amputações relacionadas ao diabetes no país.
Assim, fique alerta a feridas que demoram a cicatrizar, perda de sensibilidade, dor, inchaço ou mudança de cor nos pés. Se notar algo, avise seu médico imediatamente.
Como acompanhar o diabetes no dia a dia
O cuidado eficaz vai além de medir a glicose eventualmente, pois envolve uma rotina de consultas regulares, orientação alimentar, atividade física, controle da pressão arterial e avaliação periódica dos olhos, rins e pés.
- No tipo 1: a insulina é essencial e a medição diária da glicose faz parte da rotina.
- No tipo 2: o tratamento varia entre mudanças no estilo de vida, medicamentos orais, injetáveis e, em alguns casos, insulina.
Como o plano de cuidado depende do tipo de diabetes, da idade e da resposta de cada organismo, qualquer ajuste de dose ou troca de medicamento deve ser orientado por um profissional de saúde.
Curso gratuito da Fiocruz sobre diabetes no SUS
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O curso é voltado para profissionais de saúde, pessoas com diabetes, familiares e cuidadores. A capacitação tem 40 horas de duração, oferece certificado digital e está dividida em três módulos:
- Panorama epidemiológico e fatores de risco.
- Tratamento e medidas não farmacológicas.
- Organização da rede de atenção e prevenção de complicações.
O diagnóstico precoce do diabetes faz uma diferença real na sua qualidade de vida. Portanto, aproveite o Dia Nacional do Diabetes como um lembrete: verifique quando fez seu último exame e converse com seu médico.
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