Por que as pessoas têm gostos diferentes para a comida?

Por que as pessoas têm gostos diferentes para a comida?

Afinal, por que as pessoas têm gostos diferentes para a comida? A razão é porque o sabor não é apenas uma experiência biologicamente complexa, mas também bastante psicológica

Por que algumas pessoas amam banana, enquanto outras não podem nem sentir o cheiro? Por que as texturas de certos alimentos, como os cogumelos, causam diferentes sensações nas pessoas? Afinal, por que as pessoas têm gostos diferentes para a comida? A razão é porque o sabor não é apenas uma experiência biologicamente complexa, mas também bastante psicológica.

De acordo com a psicóloga Linda Bartoshuk, PhD, líder internacional em pesquisa de sabor e professora de ciência alimentar e nutrição humana da Bushnell na Universidade da Flórida, tudo está relacionado à nossa experiência inicial com os alimentos. Ela explica que os gostos por comidas em parte dependem do aprendizado que fazemos delas.

Nós aprendemos a gostar das coisas. Alguns de nossos gostos ou desgostos são incorporados ao cérebro, mas a maior parte é aprendida”.

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Por isso, os gostos sobre os sabores são adquiridos na infância, com os pais e com a cultura, e costumam seguir pro resto da vida. “Oque aprendemos a gostar quando experimentamos muito cedo fica conosco”, explica Linda.

Além disso, as mudanças biológicas e culturais que surgem ao longo do tempo, podem alterar os gostos, com o passar da idade. “A maior parte é apenas a experiência que você acumula. Por isso, se você odiava brócolis e passou a gostar muito, provavelmente essa mudança foi gradual. E isso provavelmente aconteceu porque você juntou brócolis a muitas coisas que você gostou”, ressalta a psicóloga. 

Por que gostamos ou não de comidas com textura?

Em relação às texturas dos alimentos, ela admite que é uma questão que ainda não foi totalmente decifrada. Apesar das aversões e admirações por diferentes texturas serem muito comum, o tema ainda é um enigma. “É realmente um mistério. porque esses fatos não têm consequências nem origem nutricionais, então é algo mais. E isso é algo que não foi muito estudado”.

Sobre as preferências, ela explica que, na verdade, somos todos exigentes para começar a comer. “Nós aprendemos a aceitar as coisas. Porém, se olharmos para a maneira como nós adquirimos gostos pela comida desde o momento em que somos bebês, por exemplo, os legumes são realmente lentos para desenvolver uma preferência. A razão para isso é que não recebemos recompensa imediata de um vegetal”.

Linda explica que os alimentos que têm mais gordura, oferecem uma carga imediata de calorias. Além disso, as comidas que são mais doces ou salgadas, garantem um gosto mais marcante imediatamente, que fica embutido em seu cérebro. Os vegetais, no entanto, não trazem essa sensação e por isso demoram mais para entrar na lista dos alimentos que gostamos. “Então, isso quer dizer que nós realmente estamos adquirindo o nosso gosto por alimentos, um alimento de cada vez, exceto por doces e salgados, que nós gostamos assim que experimentamos. E que os gostos pela comida, o ato de gostar, é aprendido e leva tempo”, diz Linda em entrevista à American Psychological Association.

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