SindRio debate impactos da Covid-19 no ramo alimentício

SindRio debate impactos da Covid-19 no ramo alimentício

O presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro falou sobre boas práticas na gestão de negócios nesse período de crise

A PROTESTE retomou as lives das quartas-feiras no Instagram e o convidado desta semana foi Fernando Blower, presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio). Ele falou sobre os impactos e boas práticas na gestão de negócios do ramo alimentício nesses tempos de pandemia da Covid-19.

Fundado em 1911, o SindRio é um sindicato patronal que representa mais de 10 mil empresas. O objetivo do órgão é assegurar que as empresas do ramo da gastronomia, alimentação e entretenimento tenham as melhores condições para o crescimento e fortalecimento do setor, junto à cidade e ao poder público. E essa missão ganhou um significado ainda maior com a crise causada pelo coronavírus, que afetou em cheio esse segmento.

Por sua vez, a PROTESTE também vem fazendo a sua parte para levar conhecimento a quem deseja se aperfeiçoar neste ramo. Em março passado, a associação lançou o Você Chef: da cozinha ao lucro, primeiro curso online de empreendedorismo alimentar do Brasil.

“Essa é uma crise sem precedentes. É natural que haja muita insegurança, pois não temos padrão de comparação. Não existem protocolos e processos estabelecidos para uma situação como essa. E para os bares e restaurantes em geral foi realmente muito rápido. De um dia para o outro, não havia mais clientes. Pouco tempos depois, já não era possível nem abrir os salões e quem seguiu operando ficou restrito ao delivey. Com certeza todos perderam pelo menos metade de sua receita e muitos perderam cem por cento de seu faturamento. Para qualquer empresa, de qualquer porte, mas especialmente para as pequenas, é muito difícil encontrar soluções em um cenário como esse. E o nosso papel no SindRio tem sido levar informações de qualidade, para que os empresários possam tomar as melhores decisões possíveis nesse tempo”, afirmou Fernando.

Informação como melhor arma

Em um momento tão delicado, Fernando aconselha aos empresários que tenham calma, na medida do possível. E que procurem as melhores fontes de informação sobre seu segmento de negócios.

“Em primeiro lugar, se informe com qualidade. Não faça isso por meme de WhatsApp. Neste momento há muita especulação. Por isso, estabelecemos como regra só colocar no site do SindRio o que é informação oficial”, disse o presidente do sindicato.

De acordo com Fernando, o SindRio tem coordenado seus esforços para atender e sanar as dúvidas das empresas cariocas do ramo alimentício. Para isso, foi criada uma nova área no site do sindicato, chamada “Plantão coronavírus”, e disponibilizado um e-mail, no qual a equipe do SindRio responde dúvidas e presta consultorias, especialmente jurídicas, para seus associados.  

adaptacao covid
Adaptação rápida

O início do distanciamento social da população forçou o empresário do ramo a, rapidamente, reinventar seu modelo de negócio, segundo Fernando. 

“Os estabelecimentos, em sua maioria, tinham uma lógica de funcionamento. Independentemente do tipo, se é um bar, um restaurante a la carte ou a quilo. Os empresários tinham a expectativa de o cliente vir até ele. Isso agora não é mais possível. Quem está mantendo algum nível de operação teve que se reinventar. E aí, não basta simplesmente fazer o delivery. É preciso pensar no que oferecer, no cardápio, em como comunicar, qual embalagem usar, entre outras coisas. São várias nuances que têm obrigado esses gestores a agir diferente e de forma muita rápida”, avalia o presidente do SindRio.

Presença digital

Em um momento em que velocidade de reação é tudo, quem já tinha uma boa presença online e uma estrutura montada para o atendimento via delivery largou na frente para conseguir manter algum nível de operação. Para os que não têm qualquer presença digital, Fernando aconselha uma mudança rápida nessa realidade.

“Se você tiver como se comunicar de maneira rápida, clara e objetiva, faça isso acontecer o quanto antes. Se você não tinha uma rede formada, talvez você precise de um profissional especializado ou de alguma agência para te ajudar. Eu sei que nesse momento contratar alguém parece uma loucura, pois há pouco dinheiro circulando nas empresas. Mas se você não fazia nada disso até então, talvez você precise desse apoio. Mas caso não possa, nas mídias sociais você sempre tem a possibilidade de ir aprendendo e empreendendo”, disse Fernando.

Discurso e empatia

Com base na observação de práticas não só no Brasil, mas em outros países que estão vivendo a crise do coronavírus, o presidente do sindicato dá dicas sobre a forma como as empresas de bares e restaurantes devem se comunicar. Para ele, em primeiro lugar, é preciso ter um sentimento de empatia, de comunidade. Não é hora de uma comunicação oportunista ou de “fazer gracinha”. 

“Lidar com o humor é até saudável, mas é preciso encontrar o tempero certo, pois as pessoas estão vivendo momentos muito delicados, com muitos doentes, outros hospitalizados, com familiares nesta situação. Ou com medo de perder o emprego. Então, ter cuidado com esse tom é fundamental”, aconselhou Fernando.

Muitos também estão preocupados em ajudar a comunidade no entorno de seus pontos de localização. Mas, para Fernando, é importante que esse tipo de atitude seja legítima e não uma forma de barganha para ganhar o cliente.

O presidente do SindRio aconselhou também que as empresas mostrem nas redes todos os cuidados que estão tomando com higiene, com manipulação dos alimentos e embalagens. E que passem aos seus seguidores e consumidores uma noção de “familiaridade, do caseiro”. 

“As pessoas estão muito em casa, convivendo com uma intensidade que nunca tiveram. Se você conseguir se conectar com esse ambiente, em termos de discurso, acho que você tem uma possibilidade maior de ser escutado”, afirmou Fernando.

restaurante fechado
Fechar ou não fechar

Quando o estabelecimento tem uma estrutura muito grande, de acordo com Fernando, o delivery não é a solução. Quando muito, é um paliativo. 

“Se você pensou um negócio com uma estrutura grande, provavelmente você não vai conseguir fechar suas contas só com o delivey. Ele funciona só como um fôlego de caixa. Em vez de ter uma receita zero, o estabelecimento tem um pouco mais do que zero. E esses são a maioria. No caso das empresas que já foram criadas para delivery, essas conseguem fechar mais as conta neste momento”, afirmou o presidente do SindRio.

Fernando recomenda prudência e resiliência aos empresários. Segundo ele, é um momento de enxugar ao máximo os custos, com muito cuidado nas questões trabalhistas e, de preferência, mantendo algum nível operacional.

“É importante renegociar com fornecedores. Vamos precisar deles quando tudo voltar ao normal. Tentar rever aluguéis, que diferem muito para quem está em um shopping e quem tem um estabelecimento na rua. Podendo postergar pagamentos sem risco jurídico, é sempre bom fazer”, aconselhou Fernando.

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Vouchers

No mundo todo, muitos estabelecimentos encontraram na venda de vouchers uma forma de fazer algum caixa neste período de portas fechadas por conta do coronavírus. Fernando considerou a alternativa muito boa para as empresas, mas, segundo ele, é importante comunicar bem para o consumidor sobre a contrapartida que ele terá ao fazer esse tipo de compra.

“Há vários programas. A Ambev fez, a Heineken também. São iniciativas que ajudam muito. E existem sites que permitem que você faça o seu próprio programa. Quando estou vendendo algo para o futuro, estou dizendo para o meu cliente que não estou funcionando no momento e que ele vai me dar esse dinheiro para quando eu reabrir. Então, é importante pensar nos canais de comunicação que você já tinha. A pessoa que já era seu cliente é quem vai apostar no seu futuro. E se essa pessoa está dispondo de um dinheiro agora para algo que não é essencial para ela, mas que pra empresa é importantíssimo, é preciso que você comunique isso muito bem”, avaliou Fernando.

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