Você sabe como deve ser uma consulta médica?

Você sabe como deve ser uma consulta médica?

Muitas vezes, o paciente sai do médico com a sensação de que não foi examinado direito; saiba quais são as características de uma consulta ideal

Frequentemente, pacientes saem de consultas médicas com a sensação de que não foram atendidos com a devida atenção. É comum existirem queixas como “ele mal me examinou” ou “o médico nem me deixou falar direito”. Mas será que existe um protocolo de consulta a ser seguido? O médico precisa sempre tocar o paciente?

Entrevista

Ainda na faculdade, o especialista aprende que para conseguir formular um diagnóstico, é necessário ouvir atentamente a queixa do paciente. Para isso, devem ser feitas perguntas gerais, como as relativas aos sintomas e à época do seu início e à região do corpo afetada.

Também é importante perguntar questões específicas, como se há alguém na família com o mesmo problema ou se o paciente viajou para uma região com doenças endêmicas.

Esse processo é chamado de anamnese médica ou entrevista clínica. Não existe uma duração pré-determinada para essa etapa, mas uma coisa é certa: é um pouco difícil realizá-la com eficiência em cinco minutos.

Avaliações

Além disso, também é recomendado conferir a pressão arterial do paciente e a frequência do pulso para detectar se há alguma irregularidade cardíaca. Outras avaliações podem ser necessárias quando indicadas pela anamnese ou achadas no exame físico.

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Alguns exemplos são a pesagem corporal, para casos de pacientes com sobrepeso, e testes de reflexos, quando há suspeita de doenças neurológicas como epilepsia.

Na página do médico Drauzio Varella no UOL, o dr. Carlos Jardim indica quais são as etapas necessárias para uma consulta eficiente:

De olho no paciente

Na consulta, o especialista costuma realizar três condutas básicas que são classificadas como inspeção, palpação e percussão. A famosa tríade médica “ver, sentir e escutar”. À primeira vista, esses são procedimentos simples, mas se forem feitos com atenção permitem descobrir as primeiras pistas para um diagnóstico certeiro.

Inspeção

Nessa etapa, o médico deve olhar atentamente o paciente. Como isso será feito, dependerá muito da especialidade médica do profissional.

Um pneumologista, por exemplo, vai atentar mais para a região do pulmão. Além de ouvir as queixas, ele conseguirá diagnosticar problemas anatômicos como o pectus (deformidade do tórax que faz com que a pessoa tenha a região afundada ou projetada para a frente) apenas observando o paciente.

Já um reumatologista, pode ter pistas sobre um possível caso de lúpus só de atentar para a face do paciente. Nesses casos, a doença costuma causar vermelhidão nas bochechas, próximo aos olhos.

Palpação

Esta é a fase em que o médico toca o paciente. A ausência da palpação costuma gerar reclamações como “o médico nem encostou em mim”.

Assim como os demais procedimentos, tocar é de extrema importância. Por exemplo, um simples toque na região na perna permite verificar se há retenção de líquidos, por meio da identificação de edemas.

No entanto, dependendo da queixa, a inspeção ou o relato do paciente podem ser mais importantes para investigação do que o toque.

Em suma, para uma análise completa, o profissional não deve pular nenhuma etapa. Porém, se o profissional rapidamente identificar o problema sem palpar, essa fase pode tomar menos tempo da consulta que os demais procedimentos.

Percussão e ausculta

A percussão restringe-se basicamente a ouvir os sons do corpo. Se o paciente chega ao hospital se queixando de desconforto abdominal, por exemplo, ao apalpar o abdômen, o especialista consegue perceber se o fígado está aumentado. Desta forma, poderá perceber se há sinais de alguma doença hepática como cirrose ou esteatose (gordura no fígado).

Ao dar leves batidas na região, também é possível notar se há presença de gases ou corpo sólido que poderia estar provocando uma eventual prisão de ventre.

A ausculta também está relacionada ao ouvir os ruídos do organismo, mas ela requer a ajuda de um aparelho, em geral o estetoscópio, que permite escutar de forma ampliada o ruído da passagem do ar pelos pulmões e os batimentos cardíacos. Assim, o médico detecta se há acúmulo de líquido, muco ou secreção dentro dos pulmões, que podem ser em consequência de inflamações ou infecções como pneumonia.

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Excesso de exames

De acordo com o dr. Carlos Jardim, o excesso de exames que muitos médicos solicitam em determinadas consultas pode se dar à dificuldade de escutar o paciente. “Infelizmente, isso ocorre com certa frequência com especialistas de convênio e serviços públicos. Isso acontece porque esses profissionais precisam atender um número determinado de pacientes diariamente, num intervalo de tempo relativamente curto”, afirma.

Assim, a falta de disponibilidade para ouvir, muitas vezes faz com que as pistas que poderiam ser coletadas com a anamnese básica fiquem a cargo de exames. “Normalmente, os pacientes que chegam aos ambulatórios apresentam queixas comuns. Em muitos casos, não necessitam de exames sofisticados como ressonância ou tomografia”.

Segundo o médico, somente situações bem específicas e definidas justificam o excesso de exames. De qualquer forma, a escuta precisa ser bem apurada.

Como cobrar o médico?

Enfim, se durante uma consulta o paciente sentir que suas queixas não foram bem compreendidas, a saída é avisar o médico. É muito importante, também, que cada um conheça e expresse com clareza os detalhes importantes dos sintomas.

Por exemplo, ao invés de dizer que está se sentindo mal, informe se teve febre, tosse, o nível de dor. Também deve avisar se há dificuldade para respirar, se os sintomas pioram em algum período do dia e quando começaram.

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