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Amamentação: mitos, verdades e quando buscar ajuda

A amamentação ainda é cercada por crenças antigas, como a de que existe “leite fraco”. Na prática, esses mitos podem aumentar a insegurança, atrasar a procura por ajuda e levar à introdução de água, chá ou fórmula sem avaliação profissional.

Em 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) atendeu mais de 1,6 milhão de mulheres que precisavam de apoio para enfrentar problemas ao amamentar, segundo o Ministério da Saúde. O número ajuda a lembrar que amamentar envolve aprendizado, adaptação e suporte, não apenas vontade.

Muitas dificuldades melhoram quando um profissional avalia a pega, a posição e a frequência das mamadas. Ainda assim, não existe uma solução igual para todas. Bebês prematuros, baixo ganho de peso, alterações na sucção, doenças da mãe ou da criança e cirurgias mamárias anteriores, por exemplo, podem exigir acompanhamento individual.

Leite fraco existe?

Não. O aspecto do leite muda ao longo da mamada e conforme a fase da amamentação, mas isso não significa que ele seja fraco. No começo da mamada, o leite costuma parecer mais ralo porque contém mais água. Já no fim, apresenta maior concentração de gordura.

O Ministério da Saúde explica que o leite materno reúne os nutrientes de que o bebê precisa nos primeiros seis meses, além de substâncias de proteção. Portanto, a aparência mais clara não indica falta de qualidade.

Tamanho dos seios influencia na amamentação

O tamanho das mamas está relacionado principalmente à quantidade de tecido gorduroso, e não à capacidade de produzir leite. Por isso, mulheres com seios pequenos podem produzir o volume necessário, assim como mulheres com seios grandes podem enfrentar dificuldades. Essa é uma das crenças que ainda alimentam os mitos sobre amamentação.

A produção depende, sobretudo, da retirada de leite: quanto mais o bebê mama de forma eficiente, ou quanto mais as mamas são esvaziadas, maior tende a ser o estímulo para produzir.

No entanto, se houver dúvida sobre a quantidade de leite, a avaliação deve considerar a mamada e o crescimento da criança, e não o tamanho dos seios.

Choro depois da mamada não significa, sozinho, pouco leite

O bebê pode chorar por fome, mas também por frio, calor, fralda suja, cólica, desconforto ou necessidade de colo. Além disso, alguns bebês procuram o peito por conforto e regulação, não apenas para se alimentar.

Por isso, a percepção de pouco leite materno não deve ser ignorada, mas precisa ser investigada com critérios objetivos. Crescimento acompanhado na curva, urina frequente e deglutição durante a mamada ajudam a avaliar se o bebê está recebendo leite suficiente.

Já pouco ganho de peso, poucas fraldas molhadas, sonolência excessiva ou dificuldade persistente para sugar pedem avaliação profissional.

Livre demanda: a amamentação não precisa seguir o relógio

Em geral, bebês saudáveis não precisam mamar de três em três horas nem permanecer um tempo fixo em cada peito. A recomendação é amamentar em livre demanda, de dia e de noite, respeitando os sinais de fome e o ritmo da criança.

Nos primeiros meses, são comuns de oito a 12 mamadas em 24 horas, às vezes mais.

Da mesma forma, não há um cronômetro que sirva para todas as mamadas. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos orienta deixar a criança mamar até se satisfazer, soltar a mama ou adormecer. Ela pode ficar satisfeita com um peito ou querer o outro.

Em situações como prematuridade, icterícia ou ganho de peso insuficiente, porém, a equipe de saúde pode definir um plano específico.

Água e chá não são necessários no aleitamento exclusivo

Até os seis meses, um bebê saudável em aleitamento materno exclusivo não precisa de água, chá, suco nem outro leite, mesmo em locais quentes e secos. Afinal, o leite materno fornece alimento e hidratação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que o leite materno contém mais de 80% de água. Assim, se o bebê parecer com sede, pode querer mamar com mais frequência.

Além disso, oferecer água antes dos seis meses pode reduzir a ingestão de leite e aumentar o risco de diarreia e desnutrição.

Dor e fissuras: quando a pega precisa de atenção

Pode haver sensibilidade no início da adaptação. No entanto, dor persistente, rachaduras e sangramento indicam que algo precisa ser avaliado. A causa mais frequente é a pega inadequada, embora outras condições também possam provocar dor.

Na pega adequada, o bebê abocanha o mamilo e boa parte da aréola, mantém os lábios virados para fora e fica com o queixo encostado na mama. Por isso, corrigir a posição e a pega na amamentação costuma ser o primeiro passo.

Pomadas, cremes, óleos e receitas caseiras não devem ser usados por conta própria, pois nem todos têm benefício comprovado e alguns podem piorar o problema.

Além disso, se houver febre, mal-estar, vermelhidão, calor local, dor intensa ou uma área endurecida na mama, procure atendimento. Esses sinais podem estar associados à mastite ou a outro problema que exige avaliação.

Canjica e cerveja preta aumentam a produção de leite?

Não há comprovação de que um alimento ou bebida específico aumente a produção de leite. Canjica, canja e outras preparações podem fazer parte da alimentação se forem bem toleradas, mas não funcionam como tratamento para baixa produção.

A cerveja preta merece cuidado adicional. Ela não aumenta o leite por uma propriedade especial, e o álcool passa para o leite materno. Por isso, a orientação do Ministério da Saúde é não usar bebida alcoólica com essa finalidade.

Para favorecer a produção, o ponto central é a retirada frequente e eficiente do leite, com apoio para corrigir dificuldades. Além disso, alimentação equilibrada, hidratação e descanso ajudam a cuidar da saúde de quem amamenta.

Leite materno continua nutritivo depois de um ano

A partir dos seis meses, a criança precisa receber alimentação complementar adequada. Isso, porém, não significa que o leite materno perca seu valor nutricional.

A OMS informa que o leite pode fornecer metade ou mais das necessidades energéticas entre seis e 12 meses e até um terço entre 12 e 24 meses.

Por isso, Ministério da Saúde, OMS e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) recomendam manter a amamentação até os dois anos ou mais, se mãe e criança desejarem. Portanto, não existe uma data em que o leite “vira água” ou deixa de ter valor.

Como saber se o bebê está mamando o suficiente

Nenhum sinal isolado conta toda a história. O acompanhamento do crescimento é a referência mais confiável. Ainda assim, alguns indícios ajudam no dia a dia:

A quantidade extraída com bomba, por exemplo, não mede, sozinha, quanto leite a mulher produz. Da mesma forma, o choro ou a vontade de mamar muitas vezes também não provam falta de leite.

Se a dúvida persistir, o ideal é que um profissional observe uma mamada e avalie pega, sucção, transferência de leite e curva de crescimento.

Dificuldades na amamentação: quando buscar ajuda

Não é preciso esperar a dor piorar ou o bebê perder peso. Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS), a maternidade de referência, o pediatra ou um Banco de Leite Humano quando houver dor persistente, fissuras, dificuldade de pega, poucas fraldas molhadas, baixo ganho de peso ou insegurança sobre a mamada.

Além disso, os bancos de leite não atendem apenas quem deseja doar. A rede também orienta famílias sobre pega, posição, ordenha e manejo das dificuldades.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano mantém uma página para localizar unidades e postos de coleta em todo o país.

Como a PROTESTE pode ajudar

A PROTESTE reúne orientações sobre amamentação, direitos no trabalho e caminhos gratuitos de apoio no guia sobre como superar dificuldades para amamentar.

Além disso, explica quando a mamadeira pode interferir no aleitamento e quais alternativas devem ser discutidas com profissionais.

Informação confiável ajuda a reconhecer mitos e a entender melhor as dificuldades na amamentação. No entanto, ela não substitui a avaliação da mãe e do bebê quando algo não vai bem.

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