Dezembro laranja: saiba mais sobre o câncer de pele

Dezembro laranja: saiba mais sobre o câncer de pele

A doença afeta, principalmente, pessoas de pele clara com alta exposição ao sol, embora qualquer pessoa possa desenvolvê-la; saiba mais sobre o câncer de pele.

Há sete anos, em dezembro, mês que marca o início do verão, a Sociedade Brasileira de Dermatologia promove uma campanha para alertar a população acerca dos riscos do câncer de pele. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2020, a doença foi responsável por 27% de todos os tumores malignos no país – sendo que existem dois tipos de carcinoma distintos, sendo o melanoma, mais grave, responsável por 8,4 mil novos casos anuais.

A campanha Dezembro Laranja visa sensibilizar a população para os riscos e conscientizar sobre a importância do uso adequado dos protetores solares, assim como a exposição inteligente ao sol – afinal, a luz solar é fundamental para a vida e proporciona vários benefícios à saúde. 

“Para se expôr ao sol com segurança, é necessário utilizar protetores solares de forma adequada, com os filtros recomendados para o seu tipo de pele, sem abusos”, recomenda Pryscilla Casagrande,coordenadora do Centro de Competência de Alimentação e Saúde da PROTESTE. 

Fator de proteção adequado

Segundo Pryscilla, de acordo com o Consenso Brasileiro de Fotoproteção, publicado em 2014 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, é indicado o uso de protetor solar com FPS mínimo de 30.

“Pessoas mais sensíveis ao sol, que tenham pele muito clara, com antecedentes pessoais ou familiares de câncer de pele, em tratamento contra fotodermatoses (doenças cutâneas que causam um aumento anormal da fotossensibilidade), em tratamento dermatológico (lasers para rejuvenescimento, peelings, tratamentos para cicatrizes de acne, entre outros) e expostas a maior quantidade de radiação solar, seja por motivos profissionais ou lazer, devem optar por produtos com FPS mais alto, acima de 50, por exemplo”, destaca a especialista.

Já no caso de indivíduos com pele mais escura e negra, segundo Pryscilla, é possível optar por produtos com FPS abaixo de 30. “Isso ocorre pelo fato de apresentarem melhor perfil adaptativo aos efeitos da radiação solar, incluindo risco mais baixo para o desenvolvimento de câncer de pele e fotoenvelhecimento”, afirma.

Conforme a especialista, a determinação do FPS avalia a capacidade dos filtros solares de absorver/refletir a porção UVB do espectro eletromagnético. “Como o UVB é o responsável por causar eritema na pele, um filtro bastante eficaz é aquele que é capaz de proteger a pele exposta contra a queimadura solar e também contra a ação carcinogênica”, explica.

O valor de FPS consiste na razão entre o tempo de exposição à radiação ultravioleta necessário para produzir vermelhidão na pele protegida pelo protetor solar e o tempo, para o mesmo efeito, com a pele desprotegida. “Quando se usa um filtro solar com FPS 15, por exemplo, a mesma pele leva 15 vezes mais tempo para ficar vermelha. Se, em vez disso, usarmos FPS 50, significa que, para cada minuto com o protetor, estaremos protegidos durante 50 minutos”, esclarece.

protetor

Rosto é ainda mais sensível

A pele do rosto geralmente está mais exposta à radiação e também é mais sensível. “A maior conscientização do consumidor em relação aos riscos da exposição da pele ao sol, aliada à prevenção de efeitos indesejados a longo prazo, como rugas, manchas e envelhecimento precoce, está impulsionando o mercado de protetores solares no Brasil”, afirma Pryscilla.

No entanto, na hora de comprar um protetor solar facial, é preciso ter alguns cuidados. Além da proteção UVB e UVA, outros aspectos também devem ser considerados no momento da compra “É importante observar as informações do rótulo, pois existem produtos formulados especialmente para pele oleosa e outros para pele seca. Em geral, produtos em gel, gel-creme, fluido e sérum têm textura mais leve e são mais adequados para peles mais oleosas. Já os cremes e loções são mais adequados para peles normais à secas”, orienta.

O mercado ainda oferece produtos com diversas características que podem ser diferenciais para os consumidores:

  • toque seco, produto ideal para quem tem pele oleosa ou não gosta daquela sensação mais “pegajosa”, que deixa a pele brilhante. Não é uma opção, porém, para quem gosta de sensação de hidratação ou tem pele seca;
  • com cor, ideal para quem usa maquiagem diariamente. Não cobre perfeitamente imperfeições, mas deixa a pele mais uniforme. O grande problema costuma ser a pouca opção de cores, que variações do bege claro ao médio;
  • oil-free, que não é exatamente sinônimo de “livre de óleo”, mas sim de que o produto é menos propenso a causar aumento de cravos e de acne. Ou seja, trata-se de um produto não comedogênico;
  • hipoalergênico, formulado sem algumas substâncias que são reconhecidamente alergênicas (principalmente fragrâncias). Porém, há produtos que não possuem essa alegação e que também apresentam menos componentes alergênicos. “Na verdade, o termo hipoalergênico não traz para o consumidor nenhuma segurança adicional. Além disso, é preciso atentar-se para o fato de que qualquer produto cosmético pode causar alergias, por menos componentes alergênicos que contenha. Para os protetores solares essa questão é ainda mais sensível, já que os filtros químicos, por exemplo, presentes em boa parte das formulações, por si só já são irritantes para a pele”, alerta Pryscilla.
  • dermatologicamente testado, o que significa que o produto foi avaliado em humanos, sob controle de médico dermatologista. “No entanto, isso não traz benefícios adicionais aos produtos. Se ele está no mercado e cumpriu com todos os requisitos regulatórios para tal, significa automaticamente que é seguro para usar na pele”, avisa a especialista da PROTESTE. 

Exponha-se com segurança

“Não é necessário esconder-se do sol, mesmo porque ele é benéfico para o organismo: ajuda a sintetizar a vitamina D, que combate a osteoporose, traz bem-estar físico e psicológico”, ressalta Pryscilla. 

Segundo a especialista, receber todos esses benefícios sem correr nenhum risco é possível.  Basta seguir, além das dicas sobre o uso/conservação de protetores solares, algumas outras regras bastante simples: 

  • o protetor precisa estar na bolsa todos os dias, não ser relegado para uma ida à praia ou ao clube;
  • inicie a proteção solar precocemente. Estudos demonstram que, quando se cuida da pele até os 18 anos, cerca de 85% dos casos de câncer podem ser evitados. Um detalhe importante, segundo Pryscilla, é que praia não é lugar para bebês pequenos. “Apenas após os 6 meses podem ser utilizados produtos específicos para essa faixa etária, juntamente com roupas leves e chapéu”, esclarece, lembrando que crianças só devem utilizar produtos destinados ao público infantil; 
  • o uso de filtros solares durante a gravidez não somente é seguro como é também recomendado, em razão dos riscos elevados de discromias hiperpigmentares nessa fase;
  • cuidado com rótulos. Existem alguns que qualificam os seus protetores como “Amplo espectro UV”, “à prova d’água” e com fator de proteção elevado (60 ou mais), dando a impressão de que, após usá-los, os consumidores estarão totalmente protegidos. “Lembre-se que não existem fotoprotetores que nos protejam totalmente contra a irradiação UV”, ressalta Pryscilla;
  • hidrate a pele depois de se expor ao sol com géis ou cremes, para restaurar a umidade perdida, evitando assim o seu ressecamento e descamação;
  • mesmo em dias nublados, boa parte dos raios UV atravessa as nuvens e a neblina. Por isso, use protetor solar também nesses dias;
  • cuidado com a luz refletida. A luz do sol reflete na areia, na neve, nas salinas, no concreto e na água, atingindo a pele, mesmo na sombra;
  • escolha adequadamente os horários para expor-se ao sol. A menor incidência de raios ultravioleta B, os UVB, que são nocivos e causam a vermelhidão da pele, ocorre entre 7h e 9h30 e 16h30 e 19h. “Expor-se ao sol das 11h30 às 14h30 não é aconselhável, pois, justamente nesse período, a intensidade dos raios UVB é mais alta”, alerta Pryscila; 
  • mesmo com protetor, use chapéu com aba para cobrir as orelhas, óculos escuros (com lentes que protejam contra o ultravioleta) e guarda-sol. “Um chapéu de aba larga oferece uma boa proteção do sol para os olhos, orelhas, face e pescoço. Já um boné ou viseira fornecem boa proteção para o nariz, mas deixam as bochechas e o pescoço desprotegidos”, comenta a especialista. 
  • permaneça na sombra sempre que possível. Usar protetor solar é apenas uma medida protetiva a mais. Mesmo com o auxílio do produto, a exposição ao sol ainda deve ocorrer de forma responsável;
  • vá ao dermatologista se uma pinta aumentar de tamanho ou de cor em seu corpo.