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IA como terapeuta: entenda os riscos para a saúde mental

Resumo:

Os chatbots de inteligência artificial (IA) têm se tornado cada vez mais populares, no entanto, é preciso alguns cuidados com o seu uso

No Brasil, 5,8% da população sofre com transtornos depressivos, de acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando se trata de transtornos de ansiedade, esse índice entre os brasileiros é maior: 9,3%. Em meio a esse contexto, outro cenário tem surgido: o uso de chatbots de inteligência artificial (IA) como terapia psicológica. Mas o que representa essa prática?

Os chatbots de IA se popularizaram por sua característica de elaborar respostas com uma linguagem semelhante à humana. Essa é uma das suas diferenças em relação aos chatbots mais tradicionais, que geram respostas pré-programadas, conforme o Google.

Para oferecer explicações ou, até mesmo, “conversar” com um usuário, essas ferramentas de IA usam uma grande quantidade de dados coletados da internet. De acordo com um estudo publicado na Scientific Electronic Library Online (SciELO), esse tipo de tecnologia tem o potencial de responder perguntas complexas, como é o caso do ChatGPT e da DeepSeek.

Todos esses elementos fizeram os chatbots de IA caírem no gosto de muitas pessoas. No Brasil, por exemplo, 75% dos brasileiros perceberam que a inteligência artificial (IA) está presente em sua rotina, enquanto 93% das pessoas usam alguma ferramenta de IA no seu dia a dia. Os dados são da “Pesquisa sobre Consumo e Uso de Inteligência Artificial no Brasil”, realizada pelo Observatório Fundação Itaú e Datafolha.

Recursos como o ChatGPT e a DeepSeek podem ser usados de diferentes maneiras, desde um meio para fazer pesquisas até para ajudar em determinadas tarefas. No entanto, um estudo deste ano de 2025 publicado na plataforma arXiv mostrou que muitas pessoas estão utilizando chatbots de inteligência artificial para receber apoio emocional.

Mas o que está por trás dessa busca? Para Grazielle Ferreira Ribas, psicóloga e especialista em análise do comportamento, como a IA está disponível 24 horas por dia, muitos procuram esse recurso para ter um acolhimento imediato. “Também há a questão do anonimato, em que as pessoas acreditam que é seguro falar de temas delicados nesse meio, sem precisar ter medo ou vergonha”.

Como a inteligência artificial funciona como “terapeuta”?

A psicoterapia conta com métodos e técnicas científicas, auxiliando os pacientes a desenvolverem autoconhecimento e meios de lidar com determinadas situações da vida ou com condições subjetivas. Assim, a terapia promove o bem-estar e trata o sofrimento psíquico, como destacado no documento “Reflexões e Orientações sobre a Prática da Psicoterapia”, do Conselho Federal de Psicologia.

Mas para que tudo isso seja eficaz, é preciso um elemento fundamental: a relação entre duas ou mais pessoas – característica que não existe na interação com uma IA.

“A psicoterapia envolve muitos questionamentos e reflexões. Às vezes, acaba até gerando um desconforto, mas tudo isso é necessário para o nosso crescimento emocional”, diz Grazielle.

Mas e o chatbot de inteligência artificial? Como ele atua como “terapeuta”? A psicóloga explica que essa tecnologia pode apoiar tudo o que o usuário está relatando, sem recursos e estratégias para ajudar a pessoa a lidar com o sofrimento que está passando.

“A inteligência artificial é programada para responder o que o indivíduo quer. Ela tem aquela ‘empatia’ programada, diferente de um psicólogo”, destaca. “No processo de psicoterapia, trabalhamos para a autonomia da pessoa, para que um dia ela possa ter alta da terapia e, assim, tomar as próprias decisões, com uma perspectiva diferente – algo que a inteligência artificial não faz”.

Riscos do uso da IA para terapia

Veja também se a IA é realmente capaz de substituir um profissional da área da psicologia (Foto: Pexels / Matheus Bertelli).

Veja também se a IA é realmente capaz de substituir um profissional da área da psicologia (Foto: Pexels / Matheus Bertelli).

Os pesquisadores do estudo citado acima publicado na arXiv destacaram que casos preocupantes relacionados à saúde mental estão surgindo, decorrentes do uso da IA para fazer terapia. No artigo, é ressaltado que pacientes com problemas de saúde mental enfrentam riscos maiores de desestabilização e dependência de crenças estimuladas pelos chatbots.

Ainda, conforme o estudo, essa interação pode levar ao isolamento social. Aliás, Grazielle pontua que essa prática pode fazer com que a pessoa tenha dificuldade de se relacionar na vida real, seja no âmbito interpessoal e amoroso ou profissional.

Além disso, algo que o uso de chatbots de IA nesse sentido pode fazer é: fornecer diagnósticos errados. “Muitos pacientes chegam [aos consultórios] com ‘pré-diagnósticos’, achando que têm uma determinada condição, mas não têm”, comenta Grazielle.

E isso pode causar outro problema: a demora para receber o tratamento adequado, com base em um diagnóstico correto e feito por um profissional da saúde.

IA é capaz de substituir o psicólogo?

Apesar dos trabalhos de inteligência artificial terem os primeiros registros a partir de 1950, essa tecnologia tem ganhado cada vez mais destaque atualmente. Isso porque essa ferramenta tem causado inovações em diferentes áreas. No mercado de trabalho, muitos se questionam se a IA vai substituir alguns postos.

Mas quando se trata do ramo da psicologia, Grazielle, que atua na área, lembra que a terapia é composta por técnicas, baseadas em estudos teóricos e especializações.

“A terapia não se trata de uma troca de conselhos ou um bate-papo, mas sim de um objetivo terapêutico”, defende. “Além disso, a inteligência artificial não tem um código de ética e não responde para ninguém”, pontua.

Interação entre humanos e tecnologias

A interação entre humanos e tecnologias faz parte do roteiro de muitos filmes. Um exemplo é a produção “Ela” (2013), que conta a história do personagem Theodore (Joaquin Phoenix) em sua relação com Samantha, um sistema operacional de seu computador que o ajuda em tarefas do dia a dia. O problema é que essa interação se torna excessiva, em que Theodore chega a se apaixonar por esse sistema.

Do lado psicológico, um estudo publicado na Revista Psicologia e Saúde em Debate destacou que o filme mostra o impacto da internet na vida do ser humano, contribuindo para um desequilíbrio psicológico e fazendo com que as pessoas deixem de viver presencialmente, por conta de medo, angústia e fobia social, por exemplo.

Ainda, em artigo da edição 253 da revista PROTESTE, a psicóloga Joyce Bonfante S. Della Togna falou sobre a necessidade de não perdemos a conexão com ações cotidianas que geram realização e satisfação pessoal, mesmo com tecnologias à disposição.

A especialista também destacou que a dependência tecnológica é capaz de aumentar o estresse, a ansiedade, a dificuldade de concentração e o sentimento de isolamento. Para acessar o conteúdo completo, baixe o aplicativo da PROTESTE (Android ou IOS).

Já reparou?

A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.

Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.

Colaborou: Manoela Cardozo.

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