No Brasil, os tutores podem encontrar planos de saúde voltados para cães e gatos que oferecem diferentes tipos de atendimento
O Brasil é o terceiro país que mais tem pets do mundo, com cerca de 160,9 milhões de animais, de acordo com um levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Em meio a esse cenário, cresce o interesse de tutores por serviços veterinários para cães de gatos, como é o caso dos planos de saúde pet.
De acordo com um relatório de 2024 da Petlove, 92% dos brasileiros entrevistados ainda não possuíam um plano de saúde pet.
Mas, no geral, como esse serviço funciona? Gabriel Carmo, professor do curso de Medicina Veterinária da Estácio, diz que o tutor paga uma mensalidade e, em troca, o animal tem acesso a determinados serviços veterinários, que podem variar desde consultas de rotina até exames e procedimentos cirúrgicos. Assim, ele destaca que esses convênios podem atuar das seguintes maneiras:
- Por atendimento direto em clínicas credenciadas;
- Por meio de reembolso, quando o tutor paga e depois solicita o retorno do valor ao convênio;
- Por um método de coparticipação, quando o tutor paga uma parte do atendimento na clínica credenciada e o convênio paga a outra parte.
Além disso, o artigo sobre plano de saúde para pet destacado na edição 233 da Revista Proteste mostrou que é possível encontrar outros dois modelos no mercado:
- Por limite máximo de valor anual e limite de valor por evento, em que é definido um limite financeiro por ano e um valor máximo para cada tipo de procedimento;
- Por reembolso + limite de utilização anual e limite anual por evento, em que o tutor tem limite de uso por procedimento na rede credenciada ou pode receber reembolso de gastos com outros profissionais.
Aliás, o texto traz um estudo de cenário elaborado por um time de especialistas da organização, em que três planos oferecidos por clínicas veterinárias e/ou empresas receberam avaliações consideradas de boa qualidade, enquanto cinco planos ofertados em conjunto com seguradoras tiveram análises de média qualidade.
O estudo de 2023 considerou os seguintes critérios: exclusão, âmbito territorial, rede de atendimento, carência para consulta, carência para castração, reembolso, emergência domiciliar, coparticipação e cobertura. O conteúdo completo pode ser acessado pelo aplicativo (Android ou IOS).
O que os planos de saúde para pets costumam oferecer?
Os serviços cobertos por um plano de saúde para pets variam de acordo com o tipo de convênio contratado. Mas Gabriel comenta que eles costumam cobrir:
- Consultas clínicas;
- Exames laboratoriais básicos;
- Alguns exames de imagem, como ultrassom e raio-X;
- Internações;
- Cirurgias de menor complexidade;
- Vacinas.
“Os planos mais completos podem incluir até cirurgias avançadas, atendimentos de emergência e terapias específicas. Já os mais básicos tendem a se restringir aos serviços de prevenção e acompanhamento clínico”, complementa.
Plano de saúde para pet: dicas de como procurar pelas melhores opções
Conforme o relatório citado acima, da Petlove, 69% dos brasileiros entrevistados sabiam da existência de planos de saúde para cães e gatos. Mas muitos daqueles que pensam em contratar um convênio podem ficar na dúvida sobre como buscar as melhores opções.
Gabriel diz que é possível fechar contratos tanto diretamente com empresas especializadas em planos de saúde pet quanto por meio de clínicas veterinárias que possuem parcerias com convênios. Mas em meio a essa procura, o especialista orienta o seguinte:
- Avalie a rede credenciada;
- Avalie os serviços que realmente estão incluídos e se o tutor poderá usar o plano em locais próximos a sua residência;
- Converse com outros tutores para entender se o plano realmente cumpre o que promete;
- Verifique valores de coparticipação, já que, em alguns casos, os custos podem ser até mais altos do que os de procedimentos feitos de forma particular.
Feito isso, o próximo passo é se atentar a alguns pontos importantes nos contratos. “É essencial olhar as carências, ou seja, o tempo que é preciso passar até que determinados serviços possam ser utilizados”, pontua o professor.
“Outro tópico é verificar o teto de cobertura, porque alguns planos limitam o valor ou a quantidade de atendimentos por mês ou ano”, acrescenta. “Também observe se há limite de idade para a adesão do animal, os procedimentos que ficam de fora da cobertura e a questão da coparticipação”.
Os tutores têm facilidade em encontrar veterinários que aceitam esses planos?

Especialista também fala sobre a acessibilidade desse serviço no país (Foto: Freepik).
Os tutores podem se perguntar se é fácil encontrar redes que adotem esse serviço. Na verdade, quando se trata de planos de saúde para pets, muitos tutores enfrentam dificuldades de encontrar veterinários que aceitem esse sistema.
“A rede credenciada do plano pode não ser tão ampla em algumas regiões, o que limita o acesso”, diz Gabriel. “Além disso, o veterinário precisa avaliar se o valor pago pelo convênio é compatível com o investimento da clínica. Muitos profissionais acabam não aderindo porque os repasses são baixos”, complementa.
Mercado e acessibilidade
Ainda na pesquisa de mercado, 8% dos tutores entrevistados possuíam planos de saúde para os seus pets. Quando se trata da disponibilidade desses serviços, Gabriel acredita que eles estão se tornando mais acessíveis, mas que ainda há uma grande variação de valores.
“Um plano básico pode ser relativamente barato, mas os mais completos podem pesar no bolso. A acessibilidade vai depender muito da renda da família e do perfil do animal”, destaca.
No entanto, quando se trata da procura por convênios pets, Gabriel diz que essa tendência está crescendo. “Cada vez mais os tutores veem os animais como familiares, aumentando a preocupação com a saúde e o bem-estar”, comenta.
“No Brasil, o mercado pet como um todo está em expansão, e os convênios são reflexo dessa realidade. A procura aumentou principalmente depois da pandemia, quando muitas pessoas adotaram animais e passaram a investir mais no cuidado deles”.
“É preciso ampliar a rede de atendimento, investir em transparência nos contratos e criar planos mais personalizados, de acordo com a idade e necessidades de cada animal”, comenta Gabriel.
Planos de saúde: benefícios para os pets e tutores
Os animais com planos de saúde podem ter diagnósticos mais precoces e, assim, ter um acompanhamento veterinário mais próximo, como diz Gabriel. “Muitas doenças, como problemas gastrointestinais, cardíacos ou renais, podem ser controladas de forma eficaz quando detectadas cedo, e o plano ajuda a viabilizar esse cuidado contínuo”.
Para os tutores, além do cuidado com a saúde de seus pets, outro benefício desse serviço é ter uma maior previsibilidade de gastos. “O tutor consegue se programar melhor financeiramente, sem aquele susto de uma conta alta em caso de urgência”, complementa Gabriel.
Ainda, o especialista comenta que os responsáveis acabam levando os animais ao veterinário com mais frequência, justamente por saberem que parte dos custos já está coberto. Essa prática aumenta a adesão ao cuidado preventivo.
Mas o profissional alerta: “Deve-se tomar alguns cuidados, pois os planos que oferecem coparticipação não eliminam totalmente os custos do tratamento, podendo resultar em gastos maiores do que o previsto”.
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