A lateralidade canhoto mostra diferenças motoras sem impactar criatividade nem aprendizado
Se você é canhoto, com certeza já passou por situações comuns: a tesoura que não colabora, borracha de tinta espalhada no papel ou a famosa pergunta: “Nossa, mas você não pode tentar usar a direita?”.
Nesta quarta-feira (13) comemora-se o Dia do Canhoto e, por este motivo, esclarecemos alguns mitos e verdades sobre a preferência pela mão esquerda. Ser canhoto é realmente raro? Traz vantagens cognitivas ou limitações na escrita? Especialistas respondem.
Quantos canhotos existem no mundo?
Conforme informações do G1, a maioria das pessoas é destra. Estima-se que apenas 10% da população mundial use predominantemente a mão esquerda. Dessa forma, os canhotos representam uma minoria.
No entanto, essa diferença não implica qualquer limitação intelectual ou criativa. O mais importante é compreender que a lateralidade não determina habilidades cognitivas. O que muda é apenas a forma como o indivíduo realiza algumas tarefas manuais.
Canhotos são mais criativos ou inteligentes?

Canhoto apresenta lateralidade predominante na mão esquerda, mas cérebro funciona de forma similar | Imagem: Pexels
Mito. Elisabete Coelho, neurologista do Hospital Pequeno Príncipe (PR), explica que não há evidências científicas que associem ser canhoto à inteligência ou criatividade.
Um estudo publicado em 2009 no periódico ‘Demography’ analisou a suposta superioridade cognitiva dos canhotos e não encontrou indicativos que sustentassem essa teoria. Revisões bibliográficas conduzidas pelos mesmos pesquisadores confirmaram que tanto canhotos quanto destros apresentam uma distribuição normal de habilidades cognitivas, sem diferenças significativas.
O cérebro do canhoto funciona de forma invertida?
Mito. Para destros, cerca de 90% da parte motora do cérebro é comandada pelo lado esquerdo e apenas 10% pelo direito. Nos canhotos, essa proporção muda pouco: de 70% a 80% continua controlada pelo lado esquerdo, e de 20% a 30% pelo direito.
No dia a dia, essa diferença não gera impactos práticos. Entretanto, em cirurgias cerebrais, saber se o paciente é canhoto ou destro ajuda o médico. “O canhoto leva uma vantagem: caso seja preciso remover uma área do cérebro responsável pela parte motora, o especialista terá maior possibilidade de mexer do lado esquerdo. A preocupação será menor, porque o outro lado pode dar mais conta [do recado]”, explica Coelho.
Canhotos enfrentam dificuldades na escola e escrevem mais devagar?
Mito. Renata Carbone Perucci, professora de pedagogia da Unicid, afirma que os obstáculos são sociais, não intelectuais. Mesas, cadernos e tesouras adaptados para destros geram inconvenientes, mas não afetam a capacidade do aluno.
A velocidade da escrita também não depende da lateralidade. Se canhoto e destro tiverem materiais adequados, escreverão no mesmo ritmo. Qualquer diferença é natural e não tem relação com inteligência.
É correto forçar uma criança a mudar de mão dominante?
Coelho e Perucci destacam que tentar fazer um canhoto usar a mão direita é prejudicial. A preferência manual tem causas multifatoriais, incluindo fatores genéticos, epigenéticos e ambientais.
“Estimular o lado contrário é pior — a não ser que seja o caso de um paciente com AVC com comprometimento motor. Em geral, precisamos de adaptações para os canhotos, e não de forçá-los a usar a mão direita”, afirma a neurologista. “A criança pode até cumprir tarefas com a outra mão, mas não terá a mesma facilidade que no lado de preferência”.
Quando é possível identificar que um bebê é canhoto?
Geralmente, a lateralidade se torna perceptível a partir dos dois anos, quando a criança demonstra preferência natural por um lado. “É fácil observar: basta ver com que mão ela costuma puxar os brinquedos, por exemplo”, explica Coelho.
Os pais devem acompanhar o desenvolvimento motor da criança. Se não houver alterações estruturais, a vida segue normalmente. Caso haja dificuldade maior na coordenação ou movimento de braço e perna direitos, é indicado procurar um pediatra.
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