A busca pelas metas da cobertura vacinal envolve campanhas nacionais de multivacinação, além de ações de comunicação para reduzir a hesitação vacinal
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é considerado um dos mais abrangentes do mundo. Criado para proteger a população contra doenças graves, ele oferece vacinas gratuitas em todo o território brasileiro pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A cobertura vacinal, no entanto, tem enfrentado oscilações nos últimos anos, o que reacende debates sobre os desafios para alcançar as metas estabelecidas.
Especialistas destacam que a vacinação é um indicador fundamental para medir a eficácia das políticas públicas de saúde. Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda precisa reforçar campanhas e combater a desinformação que interfere na adesão às vacinas.
Como funcionam as metas da cobertura vacinal no Brasil?
De acordo com o Ministério da Saúde, a cobertura vacinal mede a proporção da população-alvo que recebe determinada dose em um período específico. Esse dado é monitorado pelo Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI).
“Esse indicador é fundamental para avaliar a efetividade das políticas públicas de imunização, orientar ações de busca ativa de não vacinados e monitorar o alcance das metas do PNI, que geralmente variam entre 90% e 95%, dependendo da vacina”, diz Renata Holanda dos Anjos Lima, professora assistente no Centro Universitário São Camilo e mestra em Ciências pela USP.
Na prática, a maioria das vacinas precisa atingir 95% da população. Algumas, como HPV e rotavírus, têm meta de 90%. O objetivo é reduzir riscos de surtos e manter doenças sob controle. Dessa forma, o indicador se torna um pilar estratégico da saúde pública.
Por que a cobertura vacinal caiu nos últimos anos?

O Brasil investe em campanhas para atingir as metas da cobertura vacinal | Imagem: Pexels
O Brasil manteve índices elevados até meados da década de 2010. Segundo Renata, “no entanto, a partir de 2016, observou-se uma queda consistente nos índices”. Em 2019, a cobertura chegou a 73%. Já em 2020 caiu para 67% e, em 2021, para 59%, conforme dados da Fiocruz com base no Ministério da Saúde.
Fernanda Tavares de Mello Abdalla, enfermeira e professora no Centro Universitário São Camilo, explica que a recuperação tem sido lenta. “A cobertura vacinal tem se recuperado, mas não completamente, já que algumas vacinas ainda não atingiram a meta de cobertura estabelecida”, afirma.
Entre os fatores que levaram à queda, especialistas apontam a desinformação, a hesitação vacinal e a baixa percepção da gravidade das doenças. Além disso, a pandemia também influenciou na busca por imunização em postos de saúde.
O Brasil está conseguindo retomar as metas de vacinação?
Nos últimos anos, campanhas de multivacinação e ações de comunicação ajudaram a ampliar a adesão. Renata ressalta que “entre os anos de 2022 e 2023, há evidências de retomada gradual da imunização, devido a campanhas nacionais de multivacinação, intensificação da busca ativa de não vacinados e ações específicas de comunicação voltadas ao combate à desinformação”.
Ainda que o avanço seja positivo, especialistas reforçam a importância de atingir de forma contínua as metas propostas. A vacinação não só protege indivíduos, mas também impede a circulação de vírus e bactérias que podem provocar surtos coletivos. A saúde pública brasileira, portanto, precisa manter esforços permanentes para que o país alcance a cobertura ideal em todas as faixas etárias.
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