Com índices em baixa, a queda da vacinação no Brasil acende alerta para a proteção da população contra enfermidades que já eram raras
A vacinação sempre foi considerada uma das estratégias mais eficazes para proteger populações inteiras contra doenças graves. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) já conseguiu eliminar enfermidades históricas e reduzir drasticamente outras. No entanto, nos últimos anos, os índices caíram de forma preocupante e especialistas tentam entender o motivo dessa redução.
De acordo com o Ministério da Saúde, o PNI foi responsável por erradicar a poliomielite, o tétano neonatal e a síndrome da rubéola congênita. Além disso, ajudou a controlar doenças como difteria, coqueluche, hepatite B, meningites e febre amarela. Mesmo assim, desde 2016, os números não alcançam mais as metas estabelecidas.
Qual é o impacto da queda nos índices de vacinação?
Entre 2010 e 2015, o Brasil manteve taxas acima de 95% para vacinas essenciais, como a pentavalente e a tríplice viral. Segundo Renata Holanda dos Anjos Lima, professora assistente do Centro Universitário São Camilo, esses resultados refletiam o sucesso de campanhas de alcance nacional.
“No entanto, a partir de 2016, observou-se uma queda consistente nos índices”, afirma Renata. Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2019 a cobertura vacinal estava em 73%. Já em 2020, caiu para 67% e, em 2021, atingiu menos de 59%. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) classificou esse cenário como alarmante, pois abre espaço para o retorno de doenças já controladas.
Fernanda Tavares de Mello Abdalla, também professora no Centro Universitário São Camilo, ressalta que a imunização tem mostrado sinais de recuperação em anos recentes, mas ainda abaixo do ideal. Para muitas vacinas, a meta mínima é de 90%, chegando a 95% em algumas delas, como destaca o próprio Ministério da Saúde.
Mas o que explica a queda da vacinação?

Ações educativas tentam reverter a queda preocupante da vacinação no Brasil | Imagem: Freepik
Vários fatores contribuem para esse cenário. Entre eles, a desinformação nas redes sociais, que alimenta a chamada hesitação vacinal. “Esse indicador é fundamental para avaliar a efetividade das políticas públicas de imunização, orientar ações de busca ativa de não vacinados e monitorar o alcance das metas do PNI”, explica Renata.
Outro ponto, de acordo com Fernanda, é a baixa percepção de risco em relação às doenças que podem ser prevenidas. Muitas pessoas acreditam que elas não representam mais ameaça, o que reduz a procura pelas vacinas. A desconfiança em relação às instituições de saúde também influencia.
Além disso, dificuldades logísticas, falhas de comunicação e o impacto da pandemia de covid-19 contribuíram para atrasar a retomada da cobertura. Em resposta, o governo tem investido em campanhas de multivacinação, comunicação contra fake news e busca ativa de pessoas que não se vacinaram.
O que precisa mudar para ampliar a cobertura vacinal?
A retomada da confiança no sistema de imunização é um dos maiores desafios do Brasil. Para Fernanda, é preciso reforçar campanhas públicas que esclareçam dúvidas comuns, como segurança, eficácia e necessidade de doses múltiplas.
Renata destaca que o caminho passa pela informação clara e pela aproximação com a população. “É fundamental verificar se as informações citam fontes científicas reconhecidas e evitar conteúdos alarmistas ou sem respaldo técnico”, afirma.
Dessa forma, a meta é recuperar os patamares anteriores, garantindo que a população brasileira volte a atingir coberturas acima de 90%. Sem isso, especialistas alertam que o risco de reaparecimento de doenças graves será cada vez maior.
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