O arroz vermelho é um cereal que possui propriedades específicas, capazes de afetar o organismo de diferentes formas
O arroz é um dos principais alimentos presentes na mesa do brasileiro. Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que esse tipo de cereal é o segundo no ranking de itens com as maiores médias de consumo diário per capita, ficando atrás apenas do café e do feijão. Além disso, o mercado oferece uma variedade de grãos, como o arroz vermelho.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o tipo de arroz mais consumido no país é o branco polido, com uma taxa de 70%. Em seguida está o parboilizado polido, com 25% de consumo, e o integral, com 4%. Já outros tipos de arroz apresentaram um índice de consumo de 1%.
Mas é possível adquirir outras categorias deste alimento nos supermercados. Conforme a Embrapa, embora o arroz vermelho esteja mais presente em feiras de alguns estados do Nordeste, como a Paraíba, os brasileiros de outras regiões podem encontrar o item nas prateleiras reservadas aos tipos de arroz especiais.
Ainda de acordo com a Embrapa, o arroz vermelho possui mais ferro e zinco do que o arroz branco. Além disso, o alimento conta com mais nutrientes. Mayara Cerqueira, formada em nutrição pela Unimogi, diz que o arroz vermelho também é rico em fibras e possui uma alta capacidade antioxidante.
A especialista também explica que o arroz vermelho tem essa tonalidade por conta da oxidação de compostos chamados proantocianidinas presentes no farelo.
No entanto, a sua inclusão na rotina alimentar deve ser feita com orientação médica. Isso porque o cereal avermelhado pode apresentar riscos à saúde em algumas situações, principalmente se consumido em excesso.
Relação entre o arroz vermelho e a saúde
Mayara diz que o arroz vermelho atua no intestino, por conta das fibras, além de ajudar a controlar o diabetes. Ainda, um estudo publicado no periódico Molecules destacou que o alimento tem potencial anti-inflamatório e pode auxiliar na prevenção da obesidade.
No entanto, justamente pelo seu alto teor de fibras, pessoas com sensibilidade intestinal podem sentir desconforto gastrointestinal com a sua ingestão. Por isso, a nutricionista destaca que essa é uma situação em que o consumo pode não ser indicado.
Ainda, o excesso de fibras no produto é capaz de provocar gases, diarreia ou, até mesmo, má absorção de nutrientes.
“A má absorção de nutrientes pode ocorrer por conta dos fitatos presentes na fibra, podendo interferir na absorção de minerais ao formar um complexo que impede a sua absorção no intestino”, complementa.
Um estudo publicado na revista científica Food Research International constatou que o arroz pigmentado – como o arroz vermelho – tem um teor de fibra alimentar maior que o arroz não pigmentado. Assim, o pigmentado pode proporcionar uma menor digestão do amido – carboidrato presente nesses cereais.
Há alguma interação do arroz vermelho com medicamentos?
A versão fermentada do arroz vermelho pode, sim, oferecer riscos de interação com alguns medicamentos. “Essa versão pode interagir com remédios para baixar o colesterol e com inibidores da enzima CYP3A4, como antibióticos e antifúngicos, por exemplo”, destaca Mayara.
Quem tem doença celíaca pode consumir esse arroz normalmente?

É importante que o consumidor verifique as informações contidas nas embalagens de arroz vermelho (Foto: Freepik).
O grão de arroz vermelho não tem glúten, como destacado no estudo citado acima. No entanto, Mayara ressalta que é preciso alguns cuidados, pois “há risco de contaminação se ele for armazenado ou preparado nos mesmos equipamentos onde foram manipulados alimentos com glúten em sua composição”.
Por isso, é importante verificar a embalagem do produto para garantir que não houve contaminação cruzada durante seu processamento.
Qual a quantidade ideal para incluir o arroz vermelho na dieta?
A quantidade recomendada de arroz vermelho varia conforme o organismo de cada pessoa. No entanto, Mayara acrescenta que uma ingestão média varia entre 70 e 90 g por dia, combinada com proteínas e vegetais para uma refeição completa.
Agora, quando se trata da substituição do arroz branco pelo vermelho, a nutricionista destaca que a troca pode adicionar alguns benefícios nutricionais na rotina alimentar. “No entanto, o arroz branco ainda pode ser consumido com moderação em uma dieta equilibrada”, pontua.
Como garantir a qualidade do produto antes de comprar?
Para assegurar a compra de um arroz vermelho de qualidade, o consumidor precisa observar se a embalagem possui sinais de rompimento, insetos ou umidade. “Também verifique se os grãos estão uniformes, sem sujeira ou sinais de mofo”, complementa Mayara.
A especialista também ressalta a importância de escolher marcas confiáveis, observar a data de validade e verificar se há informações claras sobre o tipo de arroz e a classificação na embalagem.
Alternativas para variar a dieta com segurança
De acordo com a Embrapa, o arroz vermelho tem ganhado destaque como um acompanhamento de carnes brancas, além de ser usado no preparo de bolinhos. Ainda, o item costuma ser utilizado em pratos regionais, especialmente na Paraíba e no Rio Grande do Norte.
Mas para quem deseja variar ou mesmo substituir o arroz vermelho por outro tipo, Mayara recomenda o arroz integral comum, negro, selvagem e parborizado.
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Colaborou: Manoela Cardozo.