Alimentação: descobrindo a verdade

O leite é só para crianças? Devemos dizer adeus ao glúten? Precisamos atualizar conhecimentos

Alimentação: descobrindo a verdade

A conversa sobre leite já chegou à cozinha. A batalha contra o glúten e leite em idade adulta possui destaque nas redes sociais, onde pessoas ficam irritadas com quem discorda. Em uma casa aonde todos expressam opiniões, a autoridade vem da ciência… Ainda que hoje muitos se sintam com autoridade para falar altamente com a própria ciência.

Com o intuito de dar fim a alguns mitos, a Deco Proteste, maior organização de defesa do consumidor portuguesa, publicou os resultados de um levantamento onde testaram os conhecimentos de consumidores portugueses na área da alimentação e confrontaram as respostas de acordo com evidências científicas. A descoberta foi um cenário pouco favorável.

Os resultados da pesquisa, que reuniu 4414 respostas válidas, foi conduzido em maio de 2020 na Bélgica,  Espanha,  Itália e Portugual, e os 1085 portugueses que expressaram as suas opiniões e experiências precisam rever alguns dos seus conhecimentos no tema. A maioria sabe que o leite é benéfico em todas as idades (73%) ou que beber sucos de fruta fresca não é o mesmo que comer a fruta em si (60%). E unicamente 35% confiam que os produtos light podem ser uma ajuda contra os pesos a menos. A associação considera que talvez os resultados não sejam de espantar, considerando que 59% não conseguem ou acham difícil analisar se a informação no rótulo nutricional dos alimentos está completa. E interpretá-lo não está ao alcance de quatro em dez.

Para eles, encontrar informações confiáveis sobre alimentação saudável também não é fácil: 31% não têm sucesso nessa missão ou a cumprem com esforço. Pior ainda, dois em dez dizem não compreender o impacto da alimentação na saúde. A associação é favorável ao Nutri-score, um intuitivo código de cores e letras que já existe em alguns rótulos de produtos portugueses e de alguns outros países europeus, e que dá uma classificação global a cada alimento. Associações de consumidores e outros setores da sociedade civil pediram à Comissão Europeia que o faça obrigatório.

De onde vem a informação?

Médico de família (63%) e familiares ou amigos (55%) foram as principais fontes.

 

TESTE SEUS CONHECIMENTOS SOBRE A ALIMENTAÇÃO

COMPARE SEUS CONHECIMENTOS COM AS RESPOSTAS DOS PARTICIPANTES DA PESQUISA E DESCUBRA EXPLICAÇÕES PARA OITO SITUAÇÕES RECORRENTES

 

Produtos light são úteis para perder peso – VERDADEIRO

35% respostas certas 65% respostas erradas

Em Portugal, legalmente, para um alimento ser considerado light, tem de reduzir 30% de determinado nutriente (no geral, gordura ou açúcar), se comparado com o produto original. Como a redução, entre outros, de gordura e açúcar contribui para a perda de peso, os produtos light podem ser um aliado nessa missão. Mas não bastam. A verdade é que, sozinhos, não ajudam a emagrecer. O consumo deve ser integrado no contexto de uma dieta equilibrada, acompanhada de um estilo de vida saudável, com a prática de exercício físico. E, tal como acontece com qualquer alimento, o abuso pode levar ao inverso daquilo que se pretende: aumento de peso, em vez de uma redução nos pesos em excesso.

Para o conhecimento, no caso do Brasil a legislação vigente informa que para um alimento ser considerado reduzido ou light em valor energético ou algum nutriente é necessária uma redução de, no mínimo 25% no valor energético ou no conteúdo do nutriente objeto da alegação em relação ao alimento de referência ou convencional.

O consumo moderado de bebidas alcoólicas é benéfico para a saúde – FALSO

42% respostas certas 58% respostas erradas

Alguns estudos mostram que o resveratol, presente no vinho, tem propriedades antioxidantes, ainda que seja preciso ingerir grandes quantidades para obter efeitos positivos. O consumo moderado de álcool parece prevenir o risco de doenças coronárias para quem não bebe ou a quem o faz de forma abusiva. Mas não há estudos que provem um benefício absoluto. A opinião médica mais difundida aponta para não mais de duas bebidas ao dia para homens e de uma para mulheres. Mas a etnia, a idade, o estado de saúde, o histórico familiar e o estilo de vida devem ser avaliados antes de qualquer conselho. Em resumo, a evidência não confirma a recomendação do consumo de álcool enquanto medida preventiva.

As dietas sem glúten são mais saudáveis, mesmo para indivíduos tolerantes – FALSO

46% respostas certas 54% respostas erradas

Dietas sem glúten são, por vezes, recomendadas a quem não tem doença celíaca, para perder peso ou prevenir doenças cardiovasculares. Mas a evidência sobre os efeitos positivos no corpo é limitada e um estudo no British Medical Journal sugere que não evita doenças cardiovasculares. Aliás, quem não exclui o glúten tende a ingerir mais cereais integrais, benéficos para o coração. É certo que muitos dos que o evitam reportam melhor saúde gastrointestinal. Mas tal não se deve à ausência do glúten, e sim a consumirem também menos alimentos processados. Se a dieta sem glúten for equilibrada, pensa-se que não irá prejudicar a saúde de quem não é celíaco. Mas há quem pergunte se pode provocar intolerância nestas pessoas.

Os adultos não devem beber leite – FALSO

73% respostas certas 27% respostas erradas

O leite tem sido analisado com suspeita nos últimos tempos, devido, entre outros, à gordura que contém e à intolerância que traz em certos indivíduos. Mas, quando não existem restrições médicas, é aconselhável consumir leite e derivados em qualquer idade. Trata-se de uma excelente fonte de cálcio e fósforo, importantes para os ossos e os dentes. A absorção do cálcio pelo intestino é influenciada pela presença de fósforo, sendo mais eficaz quando a quantidade do segundo representa cerca de metade do teor do primeiro, e o leite consegue esta proporção. Mas é preferível optar pelo semidesnatado: ingere menos gordura saturada, sem perder as vitaminas lipossolúveis associadas às gorduras.

Gorduras polinsaturadas, como os ômegas 3 e 6, são boas para a saúde – VERDADEIRO

87% respostas certas 13% respostas erradas

O organismo necessita de ácidos graxos essenciais, como os ômegas 3 e 6, mas, por não conseguir sintetizá-los, temos de obtê-los através dos alimentos. Os ômegas 3 estão presentes, por exemplo, em peixes mais gordurosos como a sardinha, a cavala, o atum e o salmão. Já os ômegas 6 podem ser encontrados em óleos vegetais, como o de girassol, e em frutos secos, caso de nozes e amêndoas. Os ácidos graxos têm efeito benéfico na reprodução, na pele, nos níveis de colesterol e na saúde cardiovascular. Mas não está provado que suplementos tragam maisvalias. Uma dieta equilibrada, que inclua peixe, frutas, legumes e cereais integrais, é o segredo. Cozinhar com azeite e consumir frutos secos também ajuda.

Fonte: Deco Proteste

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