Novo estudo mostra que um simples exame de fezes pode diagnosticar câncer de intestino com eficácia próxima à colonoscopia, de forma menos invasiva
Um avanço científico pode transformar a forma como o câncer de intestino é diagnosticado. Atualmente, o rastreio da doença depende, principalmente, da colonoscopia, um exame invasivo realizado em intervalos que variam entre cinco e dez anos após os 50 anos. No entanto, especialistas destacam que a adesão da população ainda é baixa, o que contribui para o aumento no número de casos de tumores colorretais em todo o mundo.
Um estudo publicado na revista Cell Host & Microbe apresentou resultados promissores. Pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, desenvolveram um exame de fezes capaz de detectar 90% dos tumores no cólon, índice comparável ao da colonoscopia. O método utiliza algoritmos de inteligência artificial para identificar alterações na microbiota intestinal que indicam risco de lesões.
Como identificar precocemente o câncer de intestino?

Novo método de exame de fezes apresenta resultados no câncer de intestino | Imagem: Freepik
De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico precoce da doença pode ser feito por meio de exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos em pessoas com sinais suspeitos. Entre os principais sintomas estão sangue nas fezes, mudanças no hábito intestinal — como diarreia ou prisão de ventre —, dor abdominal, cólicas e sensação de desconforto.
Também podem surgir fraqueza, indisposição e anemia. Muitos pacientes apresentam perda de peso sem causa aparente ou relatam inchaço abdominal constante, como se o intestino estivesse sempre preso. Esses indícios precisam de atenção médica imediata para aumentar as chances de tratamento eficaz.
Qual o diferencial do novo exame de fezes?
Segundo o UOL Notícias, a proposta é criar um método acessível e menos invasivo. “O desafio era criar uma abordagem inovadora para a análise de dados em massa. Desenvolvemos com sucesso o primeiro catálogo abrangente de subespécies da microbiota intestinal humana, junto a um método preciso para usá-lo para detectar o câncer colorretal. Nosso método detectou 90% dos casos de câncer. O resultado é muito próximo da taxa de 94% de detecção obtida por colonoscopias e melhor do que todos os atuais métodos de detecção não invasiva”, destaca o biólogo e estatístico Matija Trickovic, primeiro autor do estudo.
Os primeiros testes foram realizados apenas em laboratório. Porém, um ensaio clínico já está em andamento em parceria com os Hospitais Universitários de Genebra. O objetivo é confirmar quais estágios da doença e quais lesões podem ser diagnosticadas pelo exame. Se comprovada a eficácia, o procedimento poderá ser incorporado como ferramenta de rastreio de rotina.
Quais os fatores de risco para o câncer colorretal?
O câncer de intestino tem se tornado cada vez mais frequente. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que cerca de 45 mil brasileiros receberam o diagnóstico entre 2023 e este ano. O oncologista Artur Ferreira, da Oncoclínicas, lembra que a detecção precoce é fundamental. “Diferente do câncer de mama, por exemplo, onde a doença é identificada com os exames de rotina geralmente em fase inicial, já instalado, o tumor colorretal pode ser encontrado em sua fase pré-cancerosa ainda em pólipos. Uma vez diagnosticado precocemente, as chances de cura são altas”, afirma.
Entre os fatores de risco estão dietas ricas em ultraprocessados, baixo consumo de vegetais, excesso de carnes vermelhas, sedentarismo, obesidade, tabagismo e doenças inflamatórias intestinais. Questões hereditárias também aumentam a vulnerabilidade. “Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, tais como constipação, diarreia, afilamento das fezes, ausência da sensação de alívio após a evacuação, como se nem todo conteúdo fecal fosse eliminado, massas palpáveis no abdome, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”, conclui Ferreira.
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