O exame DNA-HPV começou a ser oferecido no SUS e deve substituir o papanicolau até 2026, garantindo rastreamento mais eficaz do câncer de colo do útero
O Ministério da Saúde iniciou na última sexta-feira (15) a distribuição do teste DNA-HPV, que gradualmente substituirá o papanicolau no Sistema Único de Saúde (SUS). A novidade busca oferecer mais precisão no diagnóstico precoce do câncer de colo do útero e ampliar a cobertura de rastreamento em todo o país.
O novo exame analisa 14 tipos do papilomavírus humano (HPV) considerados de maior risco para o desenvolvimento da doença. O papanicolau continuará sendo utilizado, mas apenas para confirmar resultados positivos.
O que é o HPV e como ele afeta a saúde?

Exame DNA-HPV começa a substituir o papanicolau no SUS em todo o Brasil | Imagem: Freepik
Segundo o Metrópoles, o HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. O vírus pode provocar lesões na pele dos órgãos genitais em homens e mulheres.
Essas alterações apresentam textura lisa ou rugosa e variam de cor conforme o tom de pele. Apesar de não causarem dor, são altamente contagiosas e, muitas vezes, assintomáticas.
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra o HPV. Disponível no SUS, a dose única é destinada a meninas de 9 a 14 anos e a grupos de risco até 45 anos. Essa estratégia, somada ao rastreamento com DNA-HPV, aumenta a chance de reduzir a mortalidade pela doença.
Como funciona o exame de DNA-HPV?
A coleta do material é semelhante à do papanicolau, com secreção retirada do colo do útero. A diferença está no destino da amostra, que não vai para uma lâmina, mas para um tubo com líquido conservante. Esse material segue para laboratórios especializados, onde o DNA viral é analisado.
De acordo com o Ministério da Saúde, essa tecnologia identifica o vírus antes do surgimento de lesões visíveis. Com isso, cresce a possibilidade de diagnóstico precoce, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos. Quando o resultado for negativo, a paciente só precisará repetir o exame a cada cinco anos.
O método foi desenvolvido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fiocruz. A incorporação ao SUS foi aprovada após análise da Conitec, que concluiu que o DNA-HPV é mais eficaz que o papanicolau tradicional. Estudos indicam que ele pode detectar alterações até dez anos antes dos sinais observados no exame convencional.
Qual será o impacto da substituição do papanicolau?
A implantação será feita de forma gradual, começando em um município de cada estado selecionado, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Pará, Rondônia, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e o Distrito Federal.
A expectativa é de que, até dezembro de 2026, o novo rastreamento esteja disponível em toda a rede pública, beneficiando cerca de 7 milhões de mulheres entre 25 e 64 anos a cada ano. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a estrutura criada na pandemia acelera esse processo no Brasil.
“Estamos aproveitando a infraestrutura criada durante a pandemia para os testes de biologia molecular. Essa estrutura agora será utilizada para o diagnóstico do HPV, permitindo reduzir o tempo de espera e iniciar o tratamento o mais rápido possível. Com diagnóstico mais rápido e tratamento precoce, podemos salvar muitas vidas”, disse o ministro.
HPV e câncer de colo do útero no Brasil
O HPV é a principal causa do câncer de colo do útero, que ocupa a terceira posição entre os mais incidentes nas brasileiras. Dados do Inca apontam cerca de 17 mil novos casos por ano e uma média de 20 mortes diárias, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
A Organização Mundial da Saúde considera o DNA-HPV o padrão ouro no rastreamento do câncer de colo do útero. A estratégia faz parte da meta global de eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030.
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