Especialistas alertam que o sono dos brasileiros piorou e a falta de melatonina pode causar insônia, ansiedade e maior risco de doenças graves ao longo do tempo
A qualidade do sono da população brasileira preocupa especialistas. Estudos recentes revelam que os hábitos noturnos e o uso constante de telas reduzem a produção de melatonina. Esse hormônio é fundamental para regular o ciclo biológico do corpo e garantir noites reparadoras.
Apesar de ser produzido naturalmente, muitas pessoas recorrem ao uso farmacêutico da substância para lidar com a insônia. Mas será que essa prática é realmente eficaz e segura?
O que é a melatonina e por que ela influencia no sono?
A melatonina é fabricada pelo cérebro e também pelo intestino. De acordo com Gilmar Fernandes do Prado, especialista em medicina do sono da Unifesp, ela tem dois papéis centrais. O primeiro é ajustar o ritmo circadiano, regulando o horário de dormir. O segundo é proteger o corpo de toxinas por meio da ação antioxidante.
“No nosso ciclo de 24 horas [ritmo circadiano], a melatonina serve para impedir a ocorrência de úlceras no intestino e evitar que algumas proteínas em nosso corpo, ou mesmo no sangue, sejam alteradas e percam suas funções”, explica Gilmar. “Assim, a melatonina é um grande calmante do enorme turbilhão de reações químicas que ocorrem em nosso organismo”, complementa.
Além disso, especialistas alertam que a exposição à luz artificial durante a noite atrapalha a produção desse hormônio, especialmente quando envolve telas de celulares e computadores. Isso aumenta os riscos de noites mal dormidas.
Quais problemas a falta de melatonina pode causar?

A melatonina é essencial para a regulação do sono dos brasileiros | Imagem: Pexels
Quando o corpo produz menos melatonina, a pessoa enfrenta dificuldades para iniciar e manter o sono. Gilmar lembra que os efeitos vão além da insônia. “A longo prazo, o sono insuficiente afeta a memória, o humor, o metabolismo e, até mesmo, o sistema imunológico”, destaca.
Essa deficiência também pode estar ligada a doenças como depressão, ansiedade, diabetes, hipertensão e problemas intestinais. Enquanto isso, estudos científicos apontam que idosos tendem a sofrer mais, já que a produção natural diminui com a idade.
Quais sinais indicam deficiência de melatonina?
Segundo um estudo da The Scientific World Journal, a principal manifestação é o distúrbio do sono, incluindo dificuldade para dormir, acordar várias vezes à noite e despertar precoce.
Gilmar ressalta que a falta da substância aparece em associação com doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson, que fragmentam o sono. “Ainda, há associação com diabetes, doença renal crônica, esclerose múltipla e autismo, também associada a sono fragmentado, com despertares”, acrescenta.
Como está o sono dos brasileiros hoje?
Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado pelo Ministério da Saúde, mostrou que 72% dos brasileiros têm algum distúrbio do sono. A insônia é uma das queixas mais comuns.
“Pesquisas também mostram que grande parte dos brasileiros dorme menos do que o recomendado e apresenta queixas de insônia, sonolência diurna e dificuldade para manter um sono reparador”, destaca Gilmar.
Entre os fatores que mais atrapalham o descanso da população estão o estresse, a poluição luminosa, os hábitos irregulares de sono, a sobrecarga de trabalho e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos à noite.
O que fazer para melhorar o sono de forma natural?
Mudar a rotina é um passo importante para estimular a produção natural de melatonina. Gilmar recomenda cuidados simples: manter horários fixos para dormir e acordar, evitar refeições pesadas antes de deitar e reduzir a exposição à luz azul de celulares e computadores à noite.
Além disso, praticar exercícios físicos durante o dia, criar um ambiente adequado no quarto e estabelecer um ritual relaxante antes de dormir, como ler ou meditar, também contribuem para um descanso melhor.
Para ler a matéria completa da PROTESTE, clique aqui.
Já reparou?
A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.
Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.