Buscar
MinhaSaúde - Radarproteste
Alterar Contraste Alterar Tamanho da Fonte Acesse o nosso perfil no Facebook Acesse o nosso perfil no Instagram Acesse a nossa conta do X Acesse o nosso perfil no YouTube Acesso o nosso perfil no LinkedIn

Adoçantes podem aumentar risco de perda de memória? Veja o que diz estudo

Resumo:

Cientistas brasileiros descobriram que adoçantes podem aumentar em até 62% o risco de declínio cognitivo e prejudicar memória e fala em adultos

Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) trouxe novas preocupações sobre o impacto dos adoçantes no cérebro. A pesquisa, publicada na revista Neurology na última quarta-feira (03), relacionou o uso dessas substâncias ao aumento significativo do declínio cognitivo.

Os resultados chamaram atenção porque mostraram que os efeitos aparecem com maior intensidade em pessoas com menos de 60 anos. Segundo os pesquisadores, os voluntários que consumiam mais adoçantes apresentaram queda acelerada da fluência verbal e da memória.

Quais adoçantes foram analisados no estudo da USP?

De acordo com o Metrópoles, os cientistas acompanharam 12.772 servidores públicos brasileiros durante oito anos. O grupo relatou o consumo médio de 92 mg por dia de diferentes adoçantes, incluindo aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, xilitol, sorbitol e tagatose. Apenas este último não apresentou associação com a perda de funções cognitivas.

Os maiores consumidores registraram 62% mais risco de declínio cognitivo global e 173% mais probabilidade de queda na fluência verbal. Além disso, tiveram uma taxa 32% superior de problemas de memória em comparação aos que ingeriam quantidades menores. Essa relação permaneceu mesmo após ajustes para fatores como idade, renda, diabetes e estilo de vida.

Adoçantes artificiais ou naturais: qual a diferença?

No mercado, os adoçantes se dividem em artificiais e naturais. Entre os artificiais mais comuns estão o aspartame, a sucralose e a sacarina, conhecidos por serem intensamente doces e sem calorias. Já os naturais, como estévia, eritritol e xilitol, costumam ser vistos como alternativas mais seguras.

Entretanto, especialistas alertam que, em excesso, todos podem trazer efeitos indesejados. No caso dos naturais, há risco de desconfortos gastrointestinais, como dor abdominal, gases e diarreia. No caso dos artificiais, pesquisas já relacionaram o consumo frequente a alterações na microbiota intestinal e ao aumento do desejo por doces.

Como os cientistas explicam o risco dos adoçantes para o cérebro?

Adoçantes podem acelerar envelhecimento cerebral | Imagem: Pexels

Adoçantes podem acelerar envelhecimento cerebral | Imagem: Pexels

Os pesquisadores da USP levantaram hipóteses para explicar a relação encontrada. Estudos em animais sugerem que alguns adoçantes podem se transformar em compostos neurotóxicos, favorecendo inflamações cerebrais e acelerando a perda cognitiva.

Outra possibilidade envolve alterações na microbiota intestinal. O desequilíbrio dos microrganismos do intestino poderia afetar o metabolismo da glicose e enfraquecer a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso. Apesar disso, os autores reforçam que se trata de um estudo observacional, ou seja, indica associação, mas não prova causa direta.

O que dizem os responsáveis pela pesquisa?

“Eu mesma adoçava meu café com adoçante e gosto de refrigerante zero. Meu interesse em saber os impactos deste uso também era pessoal. Descobrimos, porém, que o consumo de adoçantes acelera o declínio cognitivo.

Já tínhamos evidências sugerindo que eles poderiam ser prejudiciais, [estando] relacionados às doenças cardiovasculares e câncer, e agora temos mais uma relacionada à cognição. Acho que essa é a mensagem”, afirmou a médica Claudia Kimie Suemoto, coordenadora do Laboratório de Envelhecimento da USP e autora principal do estudo ao Jornal da USP.

Ela destacou limitações, como o fato de os dados sobre dieta terem sido autorrelatados, o que pode causar imprecisões. Outro ponto foi a ausência da sucralose, que não estava entre os mais usados no Brasil no início da pesquisa, em 2008.

Qual a posição de especialistas e órgãos de saúde?

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma recomendação contra o uso de adoçantes artificiais para perda de peso ou prevenção de doenças crônicas. A orientação reforça a preocupação com esses aditivos, classificados entre os ultraprocessados, grupo já associado a riscos metabólicos e cognitivos.

No Brasil, o debate se amplia pela falta de informações detalhadas nos rótulos. Muitas vezes, o consumidor não sabe a quantidade exata de adoçantes presente nos produtos. Para os pesquisadores, essa transparência seria fundamental para decisões conscientes.

Especialistas sugerem reduzir o consumo de adoçantes artificiais e optar por alternativas naturais, como mel ou xarope de bordo. Porém, mesmo essas opções exigem cautela quanto à quantidade.

Já reparou?

A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.

Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.

Tags