O consumo de bebidas alcoólicas, mesmo em pequenas quantidades, pode trazer riscos graves à saúde física e mental, apontam especialistas
No Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas segue uma tendência preocupante. De acordo com o Datafolha, 42% das mulheres afirmam consumir álcool. Entre os homens, a taxa é de 58%. Embora muitos associem o hábito à socialização, cresce o alerta sobre os impactos à saúde, principalmente entre mulheres que enfrentam a menopausa.
Enquanto isso, cresce também o interesse em compreender os mitos e verdades sobre o álcool. De supostos benefícios cardíacos ao uso na gestação, o tema exige atenção, principalmente quando se considera os riscos silenciosos que acompanham o consumo frequente, ainda que em pequenas quantidades.
Efeitos reais do álcool na saúde das mulheres
Durante a menopausa, os efeitos das bebidas alcoólicas são intensificados. A médica Maria Rita de Souza Mesquita, presidente da SOGESP, afirma que “a queda nos níveis de estrogênio aumenta o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e alterações metabólicas. Também há mais riscos de hipertensão arterial [pressão alta], além de elevar os níveis de triglicerídeos e interferir na absorção de cálcio – o que aumenta o risco de fraturas”.
Além disso, fatores como perda de massa magra e diminuição da água corporal aumentam a sensibilidade ao álcool. Isso favorece quadros de intoxicação, quedas e confusão mental. Outro ponto de atenção é a saúde mental. Segundo Maria Rita, “há um risco maior de desenvolver dependência emocional do álcool como forma de ‘alívio’ para esses sintomas”.
Mitos comuns que colocam a saúde em risco
Diversas crenças populares envolvem o álcool. Uma das mais comuns é a ideia de que pequenas doses de bebidas alcoólicas são inofensivas. No entanto, Maria Rita alerta: “Quantidades pequenas, assim como moderadas, são suficientes para danificar à saúde, especialmente quando o consumo é frequente”.
Outro mito recorrente é o de que uma taça de vinho por dia faz bem ao coração. Embora essa ideia tenha ganhado popularidade, estudos mais recentes, como o publicado pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, mostram que os riscos à saúde, como câncer e hipertensão, superam qualquer benefício antioxidante do vinho.
Estilo de vida saudável não anula os riscos

Mesmo em pequenas quantidades, as bebidas alcoólicas pode afetar sua saúde | Imagem: ChatGPT
A crença de que alimentação equilibrada e prática regular de exercícios são suficientes para neutralizar os danos do álcool também é incorreta. Maria Rita esclarece: “Estilo de vida saudável, como dieta de qualidade e atividade física constante, não anula os efeitos nocivos ligados à ingestão de álcool”.
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o álcool está diretamente associado ao agravamento de doenças crônicas, transtornos mentais e até câncer. A entidade reforça que não há nível seguro de consumo. Ou seja, qualquer dose representa algum grau de risco à saúde.
Verdades que você precisa saber
A médica da SOGESP também confirma outras verdades ignoradas por boa parte da população. Bebidas alcoólicas são extremamente prejudiciais durante a gravidez, podendo causar a Síndrome Alcoólica Fetal. Além disso, está entre os principais fatores de morte evitável no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“A ingestão de álcool está diretamente relacionada a efeitos maléficos à saúde. A recomendação da OMS e de sociedades médicas é: quanto menos álcool, melhor. Aliás, o ideal seria o consumo zero”, afirma Maria Rita.
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