Inteligência artificial usada como apoio emocional desperta preocupação entre especialistas, que alertam para riscos de diagnósticos equivocados e isolamento social
O avanço da inteligência artificial (IA) ampliou suas aplicações para além de tarefas práticas. Agora, cresce um novo uso: ferramentas que atuam como suporte emocional para usuários. Essa prática desperta debates sobre benefícios e riscos.
No Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 5,8% da população convive com transtornos depressivos, enquanto 9,3% enfrenta transtornos de ansiedade. Nesse cenário, cresce a procura por chatbots de IA como recurso de acolhimento.
Como a inteligência artificial atua como “terapeuta”?
A psicoterapia utiliza métodos científicos e exige interação direta entre pessoas para alcançar resultados duradouros. Essa relação é considerada essencial, segundo o Conselho Federal de Psicologia.
Para Grazielle Ferreira Ribas, psicóloga e especialista em análise do comportamento, a principal diferença entre terapia e chatbot está justamente nesse aspecto humano. “A psicoterapia envolve muitos questionamentos e reflexões. Às vezes, acaba até gerando um desconforto, mas tudo isso é necessário para o nosso crescimento emocional”, explica.
No entanto, os chatbots não oferecem essa troca. Eles apenas reproduzem respostas programadas. “A inteligência artificial é programada para responder o que o indivíduo quer. Ela tem aquela ‘empatia’ programada, diferente de um psicólogo”, diz Grazielle. Para ela, o trabalho clínico tem como meta a autonomia do paciente, algo que a IA não proporciona.
Quais riscos existem no uso da inteligência artificial para terapia?

Chatbots de inteligência artificial se popularizam como ‘terapeuta’ online | Imagem: Pexels
Estudos recentes alertam para riscos da dependência emocional em chatbots. Os pesquisadores destacam que pessoas em sofrimento psíquico podem ter piora no quadro, em especial pela tendência ao isolamento.
Grazielle ressalta outro problema recorrente: diagnósticos equivocados. “Muitos pacientes chegam [aos consultórios] com ‘pré-diagnósticos’, achando que têm uma determinada condição, mas não têm”. Isso, segundo ela, atrasa o início de um tratamento adequado.
Além disso, a psicóloga observa que esse tipo de interação pode comprometer relações presenciais, dificultando laços interpessoais e profissionais. Dessa forma, a tecnologia, usada de forma inadequada, pode ampliar a solidão.
A inteligência artificial pode substituir o psicólogo?
Embora a IA traga inovações em diversos setores, especialistas rejeitam a ideia de que ela possa substituir profissionais da psicologia. “A terapia não se trata de uma troca de conselhos ou um bate-papo, mas sim de um objetivo terapêutico”, afirma Grazielle.
Ela acrescenta que os limites éticos também são exclusivos da atuação humana. “Além disso, a inteligência artificial não tem um código de ética e não responde para ninguém”.
A discussão, no entanto, segue em aberto, acompanhando os impactos da tecnologia na vida cotidiana. Casos retratados até em filmes, como “Ela” (2013), mostram a delicada linha entre apoio digital e dependência emocional.
Para ler a matéria completa da PROTESTE, clique aqui.
Já reparou?
A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.
Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.