Crianças, adolescentes e pessoas com histórico de traumas estão entre os grupos mais vulneráveis ao consumo de true crime
Muita gente se declara fã de true crime. O gênero, que reúne documentários, séries, livros e podcasts sobre crimes reais, desperta curiosidade e costuma figurar entre os mais assistidos no streaming. Mas, apesar do fascínio, cresce a discussão: quem é mais sensível a esse tipo de conteúdo e pode sofrer efeitos emocionais?
Pesquisas indicam que nem todos os espectadores reagem da mesma forma. Enquanto alguns buscam compreender a mente criminosa ou aprender estratégias de proteção, outros podem desenvolver sintomas de ansiedade, medo e até alterações no sono.
Por que o true crime atrai tanta gente?
Segundo a Parrot Analytics, entre 2018 e 2021 houve aumento de 63% na produção de documentários, sendo o true crime o subgênero de maior destaque. Já um levantamento da Pew Research aponta que 75% do público de podcasts do gênero são mulheres. De acordo com a University of Illinois, essa predominância se deve ao fato de muitas mulheres se identificarem com as vítimas e buscarem aprender maneiras de se proteger.
A psicóloga Evelin Costa Rocha lembra que a curiosidade pelo comportamento humano é outro motivo para a popularidade. “Esses casos geram debates importantes sobre sociedade, moral e segurança”.
Quem é mais vulnerável aos efeitos do true crime?
Nem todos os espectadores lidam bem com conteúdos violentos. Crianças, adolescentes e pessoas com histórico de traumas estão entre os grupos mais sensíveis, segundo Evelin. “Essa autorregulação é a capacidade de compreender, reconhecer e manejar as próprias emoções. Quando essa habilidade não está bem desenvolvida, especialmente em pessoas com predisposição, a exposição a conteúdos violentos pode intensificar sintomas emocionais e aumentar a suscetibilidade para o desenvolvimento desses transtornos mentais”.
Uma pesquisa publicada na Global Mass Communication Review (2024) mostrou que, em alguns casos, assistir a programas policiais foi capaz de influenciar comportamentos violentos em jovens estudantes. Já um artigo do ResearchGate apontou que fatores como gênero feminino, renda mais baixa e traços de personalidade ligados ao medo e à curiosidade mórbida aumentam a propensão ao consumo de true crime.
Quais sinais mostram que esse conteúdo pode fazer mal?

O consumo de true crime cresce em todo o mundo, mas especialistas alertam que esse hábito pode afetar a mente | Imagem: Pexels
Entre os sintomas listados por Evelin estão insônia, falta de ar, taquicardia, náuseas, ansiedade, sudorese, irritabilidade e até terror noturno. Para a psicóloga, observar essas reações é fundamental. “Se algo despertar emoções negativas ou desconforto, respeite o seu limite, fazendo pausas ou interrompendo o consumo”, explica.
Com a crescente discussão sobre saúde mental, muitas produções passaram a incluir alertas de conteúdo sensível. Para Evelin, esses avisos são úteis: “Os alertas de gatilho são importantes porque informam ao espectador que o material pode conter elementos capazes de provocar reações emocionais intensas e sensíveis. Dessa forma, o público tem a possibilidade de decidir conscientemente se deseja ou não continuar assistindo, protegendo seu bem-estar emocional”.
No entanto, conforme a especialista, eles não resolvem todos os problemas. A decisão de assistir ou não continua sendo pessoal, já que não há legislação que obrigue tais mensagens. Para ler a matéria completa da PROTESTE, é só clicar neste link.
Já reparou?
A PROTESTE é a maior associação de defesa do consumidor da América Latina e, como parte de seu propósito, está sempre atenta às necessidades do mercado brasileiro. Recentemente, lançamos a campanha Já Reparou?, que visa garantir aos consumidores o Direito de Reparo de seus produtos eletrônicos de forma acessível. A iniciativa busca combater práticas de alguns fabricantes que limitam o reparo de aparelhos ao bloquear o uso de componentes que não sejam originais ou instalados por oficinas credenciadas.
Você pode participar dessa ação e colaborar com essa conquista – acesse o site jareparou.com.br, assine e garanta esse direito. Essa vitória, entre outras coisas, amplia a aquisição de peças e manuais, reduzindo o custo de consertos para o consumidor e incentivando a sustentabilidade.