Modelo de saúde não é pensado para a terceira idade no Brasil

Modelo de saúde não é pensado para a terceira idade no Brasil

Baixa oferta de políticas de cuidado para idosos que precisam de apoio é um dos principais gargalos no atendimento dessa população

A população brasileira está em trajetória de envelhecimento. Segundo o IBGE, até 2060, o percentual de pessoas com mais de 65 anos será de 25,5% da população. Ou seja, 1 em cada 4 brasileiros será idoso, segundo o IBGE. Mas a tendência de envelhecimento da população brasileira não tem sido acompanhada de medidas que garantam os direitos desse público, sobretudo na saúde pública, mas também na área de Justiça e proteção aos Direitos Humanos.

A baixa oferta de políticas de cuidado para idosos que precisam de apoio, é um dos gargalos apontados pelo presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos André Uehara. Em entrevista à Agência Brasil, ele destaca a necessidade de uma rede integrada de atenção ao idoso e da formação e capacitação de profissionais para atender a demandas específicas dessa população em diferentes esferas.

“O idoso não é o adulto velho, assim como uma criança não recebe o mesmo cuidado de um adulto novo. É preciso treinar essas equipes que já estão em atuação com conhecimentos gerais em gerontologia, para que possam acompanhar essa população”, destaca.

Para Uehara, o modelo de saúde brasileiro “é do século passado”, focado em doenças agudas, infecciosas, que eram resolvidas com medicação. Hoje, entretanto, há uma prevalência de doenças crônicas não transmissíveis e que exigem um cuidado contínuo, ao longo de toda a vida. Além disso, o sistema de saúde não é pensado para a população idosa.

Doenças cardiovasculares

Coração

De acordo com o médico, um dos principais desafios para os idosos são as doenças cardiovasculares. Por exemplo, são necessárias políticas públicas para os pacientes que têm pressão alta e diabetes. E o cuidado deve ir além de tomar remédios. Assim, são necessários locais onde toda a população idosa consiga desenvolver atividades físicas com regularidade. Outra questão é possibilitar que a população consiga ter acesso a alimentos mais saudáveis.

É importante lembrar que, com o envelhecimento, também aumenta a incidência de doenças neurológicas, principalmente demências. E não é só Alzheimer, um dos mais conhecidos e o mais prevalente. É preciso também fornecer a medicação para controlar a evolução desse tipo de quadro.

Outro desafio é que, com a população envelhecida, teremos mais aposentados. Ou seja, serão necessários mais recursos para financiar as aposentadorias. Além disso, em uma população envelhecida nascem menos jovens, logo, menos pessoas trabalharão, reduzindo a renda do país.

Demandas judiciais

A crescente população de idosos também tem trazido novos desafios para a área da Justiça e de proteção dos direitos humanos no Brasil. A demanda judicial envolvendo pessoas com mais de 60 anos aumentou, mas a estrutura do Poder Público ainda não acompanha o ritmo das demandas.

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que nos últimos anos percebeu-se um aumento de processos iniciados em tribunais de diferentes instâncias em todo o país. Pelo menos 29,1 mil processos com o assunto “crimes previstos no Estatuto do Idoso”.

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