A popularidade do true crime não para de crescer, mas é importante entender por que nos sentimos atraídos e quais os riscos para a saúde mental
As produções do gênero true crime têm um grande apelo para quem gosta de documentários. Essa popularidade levanta uma questão importante: como conteúdos sobre crimes reais podem afetar a saúde mental e emocional do público, influenciando seus pensamentos e sentimentos?
De acordo com a empresa de monitoramento de mídia Parrot Analytics, houve um aumento de 63% no número de séries documentais entre janeiro de 2018 e março de 2021. Em um levantamento para o The Ringer, a empresa destacou que o true crime era o maior subgênero da categoria. Além disso, o gênero teve um crescimento mais rápido do que quase todos os outros subgêneros de documentários.
A psicóloga infantil e juvenil Evelin Costa Rocha, especialista em neurociência, explica que a curiosidade natural pelo comportamento humano e pelos desdobramentos de casos criminais é um dos principais motivos para a popularidade do gênero. A profissional destaca que “esses casos geram debates importantes sobre sociedade, moral e segurança”. Evelin lembra que a maioria das produções sobre crimes reais é baseada em entrevistas, inquéritos, registros policiais e até julgamentos.
Os avisos de conteúdo sensível são eficazes?

DAHMER: Monster: The Jeffrey Dahmer Story | Imagem: Divulgação/Netflix
Com o aumento das discussões sobre saúde mental, muitas produtoras passaram a incluir avisos de conteúdo sensível em suas obras. Esses alertas servem para informar ao espectador que o material pode conter elementos capazes de provocar reações emocionais intensas.
A psicóloga explica que “os alertas de gatilho são importantes porque informam ao espectador que o material pode conter elementos capazes de provocar reações emocionais intensas e sensíveis”. Dessa forma, as pessoas têm a opção de decidir se querem ou não assistir, protegendo seu bem-estar.
No entanto, a especialista argumenta que a eficácia desses avisos é questionável. Evelin ressalta que é a própria pessoa que decide se assiste ou não. Ela menciona que “atualmente, não existe uma lei que obrigue as produções de true crime a colocarem alertas de gatilho”.
Apesar disso, ela reforça que “é fundamental que a mídia tenha uma postura responsável, sensibilizando o público e indicando a faixa etária adequada para esse tipo de conteúdo”.
A responsabilidade, portanto, recai tanto sobre quem produz quanto sobre quem consome, uma vez que o público precisa reconhecer seus próprios limites, conforme a profissional.
Como o true crime afeta o comportamento e a saúde mental?
O impacto do true crime na saúde psicológica varia conforme a pessoa. “É preciso avaliar o contexto social, estado emocional e mental de quem consome esse conteúdo, além da frequência e intensidade da exposição”, explica Evelin.
A profissional destaca que o risco de crises de ansiedade ou pânico aumenta quando a pessoa não tem estratégias de autorregulação emocional. Ela continua explicando que “quando essa habilidade não está bem desenvolvida, especialmente em pessoas com predisposição, a exposição a conteúdos violentos pode intensificar sintomas emocionais e aumentar a suscetibilidade para o desenvolvimento desses transtornos mentais”.
Um artigo publicado na plataforma Global Mass Communication Review (GMCR) em 2024 investigou essa relação. A pesquisa mostrou que programas policiais eram capazes de influenciar comportamentos violentos, tanto verbais quanto físicos, em alguns estudantes da Universidade do Punjab, no Paquistão.
Por fim, um estudo publicado na plataforma Sage Journals constatou que 7% dos entrevistados que se interessavam por notícias sobre crimes violentos eram mais propensos a relatar medo de violência nas ruas.
Quem é mais vulnerável aos impactos do true crime?
Existem grupos mais sensíveis aos efeitos psicológicos do true crime. As pessoas mais suscetíveis incluem crianças e adolescentes, que ainda estão em desenvolvimento. O grupo também abrange indivíduos com histórico familiar de transtornos mentais ou aqueles que já sofreram traumas emocionais. Pessoas em momentos de grande fragilidade emocional também são mais vulneráveis a esse tipo de conteúdo.
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