Durante a menopausa, alterações hormonais tornam o organismo feminino mais vulnerável aos efeitos do álcool, segundo especialistas em saúde da mulher
Com alterações hormonais significativas, mulheres na menopausa tornam-se mais vulneráveis aos efeitos negativos do álcool no organismo.
Entre os diversos impactos que o álcool causa no corpo feminino, a menopausa se destaca como um período em que esses efeitos se intensificam. Alterações hormonais e mudanças fisiológicas fazem com que o consumo de bebidas alcoólicas represente riscos ainda maiores à saúde da mulher nessa fase da vida.
Alterações hormonais agravam os efeitos do álcool
Durante a menopausa, a redução do estrogênio, hormônio essencial para diversas funções no organismo feminino, provoca alterações metabólicas importantes. Segundo Maria Rita de Souza Mesquita, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), essa queda hormonal amplia os riscos de doenças cardiovasculares, osteoporose, hipertensão e alterações nos níveis de triglicerídeos.
De acordo com a especialista, “a queda nos níveis de estrogênio aumenta o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e alterações metabólicas. Também há mais riscos de hipertensão arterial [pressão alta], além de elevar os níveis de triglicerídeos e interferir na absorção de cálcio – o que aumenta o risco de fraturas”.
Organismo mais sensível ao álcool após a menopausa
Por conta da diminuição da massa magra e da água corporal, o corpo da mulher na pós-menopausa processa o álcool de maneira diferente. “Isso faz com que doses de álcool tenham efeitos maiores no organismo, promovendo risco elevado de intoxicação, quedas e confusão mental”, afirma Maria Rita.
Além disso, o álcool acelera a perda de massa óssea, condição comum nessa etapa da vida. Esse fator potencializa o desenvolvimento de osteoporose e aumenta a vulnerabilidade a fraturas.
Sono, humor e saúde mental são diretamente afetados

Organismo feminino reage com mais intensidade ao álcool durante a menopausa | Imagem: ChatGPT
Problemas emocionais e distúrbios de sono são frequentes durante e após a menopausa. Nessa fase, o álcool pode intensificar quadros de ansiedade, depressão e insônia. “Com isso, há um risco maior de desenvolver dependência emocional do álcool como forma de ‘alívio’ para esses sintomas”, destaca a médica.
Essa relação agrava o ciclo de impactos físicos e psicológicos e torna o consumo de bebidas alcoólicas ainda mais nocivo nesse período de transição hormonal.
Alerta para o risco de câncer e interação com medicamentos
Outro ponto de atenção está relacionado ao risco de câncer, especialmente o de mama. “O consumo de álcool na pós-menopausa eleva, significativamente, o risco de câncer de mama estrógeno-dependentes, por aumentar os níveis circulantes deste hormônio”, explica.
O álcool pode interferir na eficácia de medicamentos comuns na menopausa, como os utilizados para reposição hormonal, antidepressivos e remédios contra hipertensão ou osteoporose. Essas interações podem causar efeitos adversos ou anular os benefícios do tratamento.
Menopausa exige atenção especial ao consumo de álcool
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe um nível seguro para o consumo de bebidas alcoólicas. Para mulheres na menopausa, essa recomendação é ainda mais relevante. Conforme destaca o Ministério da Saúde, o álcool está entre os principais fatores de risco evitáveis para doenças crônicas no Brasil.
Dessa forma, o acompanhamento médico e a orientação de especialistas são fundamentais para que mulheres nessa fase da vida façam escolhas conscientes em relação ao álcool.
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