É possível confiar nos resultados de testes rápidos de Covid-19?

É possível confiar nos resultados de testes rápidos de Covid-19?

Eficácia dos testes vem aumentando desde que os primeiros kits foram liberados para uso no país, de acordo com especialista.

Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os primeiros testes rápidos para uso no país. Na ocasião, uma nota divulgada pela agência alertava que os resultados — que ficavam prontos em 15 minutos — deveriam ser “interpretados por um profissional de saúde, com auxílio de informações clínicas do paciente e de outros exames”. De lá para cá, os testes tiveram sua eficácia questionada, mas também evoluíram.

Os testes rápidos, em geral, verificam se o paciente tem anticorpos para o novo coronavírus. Ou seja, ele indica se a pessoa teve ou não contato com o vírus — o que gerou os anticorpos. Contudo, essa resposta imunológica leva um tempo para acontecer. 

Estes testes têm uma limitação grande no diagnóstico de infecções agudas, pois os anticorpos levam cerca de nove dias após o início dos sintomas para começarem a ser fabricados pelo organismo”, explica Rodrigo Daniel de Souza, chefe do Setor de Vigilância em Saúde e Segurança do Paciente do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/Ebserh).

Portanto, se o exame for feito cedo demais, ele pode indicar um falso negativo. Por isso, a Anvisa recomenda que o teste rápido seja feito 10 dias após o início dos sintomas. A detecção de anticorpos é o mesmo método usado nos testes sorológicos. A diferença é que, no caso do sorológico, os dados são analisados em laboratório.

Entre os tipos de testes disponíveis, o RT-PCR se destacou. Sua eficácia nos diagnósticos fez com que ele fosse considerado o padrão ouro dos testes. Enquanto no exame sorológico é necessária uma amostra do sangue, no RT-PCR uma espécie de cotonete é esfregado nas vias aéreas do paciente. E, em vez dos anticorpos, o RT-PCR busca identificar a presença do próprio vírus. Por isso, este exame deve ser feito com a doença “ativa”. Assim, recomenda-se que ele seja feito dentro da primeira semana de sintomas.

A boa notícia é que os testes rápidos têm melhorado, conforme pesquisadores avançam em seus estudos e no desenvolvimento de novos exames. “Hoje muitos testes foram validados por laboratórios de referência e contam com sensibilidade e especificidade altas, especialmente para IgG”, observa Souza, em referência a um dos anticorpos detectados nos testes.

UFRJ desenvolve teste rápido, barato e eficiente

Um dos exemplos de testes rápidos com eficácia e preço acessível é o S-UFRJ. O teste foi criado pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) e pelo Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF), ambos da UFRJ. O teste custará menos que R$ 5, conforme nota do Ministério da Educação (MEC) — um valor que impressiona ainda mais se comparado aos R$ 200 cobrados por testes em algumas farmácias.

Além disso, o S-UFRJ se mostrou mais eficaz do que testes rápidos disponíveis no país. Ainda de acordo com a nota do MEC, uma marca à venda no país foi comparada ao teste da UFRJ. Seu índice de acertos variou de 0% para pessoas infectadas e com sintomas há até quatro dias, e chegou a 71% de acerto quando os sintomas haviam começado há 20 dias ou mais.

O S-UFRJ, contudo, teve 40% de acerto dentro dos quatro primeiros dias de sintomas. Essa porcentagem sobe para mais de 90% quando os sintomas têm mais de dez dias, e alcança 100% quando já se passaram 20 dias ou mais.

Testes rápidos são importantes para mapear a epidemia

Apesar de suas limitações, os testes rápidos têm sua relevância no atual cenário de pandemia. Sua principal utilidade, segundo Souza, é fazer um levantamento epidemiológico. Desta forma, é possível fazer uma estimativa melhor do percentual da população afetada.

“Outras aplicações possíveis são para o diagnóstico de pacientes que não se apresentaram ao serviço médico em tempo oportuno, pois nesses casos os exames de PCR (feitos por Swab) já podem estar negativos. A síndrome inflamatória pediátrica ligada à Covid é um exemplo claro desta aplicação”, acrescenta.

Para mais informações, acesse o especial coronavírus.

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